A sereia Iara, Uiara, ou Mãe-d’água, entidade do folclore conhecida em várias regiões brasileiras, é descrita como metade mulher, metade peixe.

Moça belíssima, costuma enfeitiçar e atrair os homens para o fundo das águas. Poucos escapam do encantamento dela.  E, os que sobrevivem, ficam loucos. A cura só pode ser feita por um pajé ou por uma benzedeira.

Segundo relato de Marina Martinez no site infoescola.com, Iara era uma índia muito trabalhadora e corajosa, filha de um pajé que a admirava e respeitava. Tomados pela inveja, seus irmãos homens tentaram matá-la.

Mas foi Iara quem, mais forte, acabou matando os irmãos e saindo viva da emboscada. Com medo da ira das pessoas da aldeia e de seu pai, Iara fugiu para a floresta. Não adiantou, foi encontrada e jogada no encontro das águas dos rios Negro e Solimões, onde se forma o Rio Amazonas.

O corpo de Iara foi trazido à superfície pelos peixes e, sob o reflexo da lua cheia, transformou-se em uma linda sereia de cabelos longos e olhos verdes. Desde então, Iara permanece nas águas, vingando-se dos homens.

Para atraí-los, canta lindas canções, troca de escamas a cada fase da lua e deita-se nos bancos de areia dos rios, brincando com os peixes. É o que diz a lenda.

ANOTE AÍ:
O poeta parnasiano Olavo Bilac dedicou à Iara um de seus belos poemas:

A IARA
Olavo Bilac

Vive dentro de mim, como num rio,
Uma linda mulher, esquiva e rara,
Num borbulhar de argênteos flocos, lara
De cabeleira de ouro e corpo frio.

Entre as ninféias a namoro e espio:
E ela, do espelho móbil da onda clara,
Com os verdes olhos úmidos me encara,
E oferece-me o seio alvo e macio.

Precipito-me, no ímpeto de esposo,
Na desesperação da glória suma,
Para a estreitar, louco de orgulho e gozo…

Mas nos meus braços a ilusão se esfuma:
E a mãe-d′água, exalando um ai piedoso,
Desfaz-se em mortas pérolas de espuma.

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Xapuri

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