Um macaquinho  muito bonito, morador de uma serra mais bonita ainda, estes dias, meio desconfiado me contou que não confiava nos homens. Eu quis fazer a defesa da espécie humana, mas por fim preferi escutar. E ele dizia que tinha perguntado ao seu pai sobre o ser humano, o pai tinha ficado nervoso e a conversa foi assim:

– Papai, o que são humanos?

– Meu filho, cuidado com esse bichos. São macacos sem cabelos. Pensam que são donos de tudo ao redor. Constroem cavernas de pedra que chegam ao céu. Seu ego, sua condição, não tem limites. Tomam mais terras do que eles precisam, destroem a floresta, sujam os mares, poluem o ar.

O pequeno pedia para o papai parar de falar no humano:

– Para papai, que tô com medo, vou chorar!

O papai bem paciente dizia:

– Espera, tem mais. Humanos escravizam humanos e deixam parte da manada morrer de fome para que poucos sejam mais ricos. Eles constroem máquinas para matar os próprios humanos. Mais cedo ou mais tarde eles se exterminarão. Os humanos são uns macacos loucos, meu filho! Fuja deles.

Quando vi, o macaquinho enxugava minhas lágrimas e me consolava: – Ah, neim Tieda! Não vá acreditar em tudo que o papai diz. Ele é muito exagerado.

Dei um beijo demorado no mocinho e segui estrada, atrás de mim deixe a reservada, em devida parcimônia, a Linda Serra dos Topázios, que se tornara toda alarajanda com os últimos raios do sol. Mais um dia terminara no meu cerrado e ele, ainda, estava de pé. Sequei novamente os olhos, cocei a poeira com a mão em croque, enchi o peito de ar, bati p ´´e bem forte no chão, como faz o caboclo Jupiara, alinhei o horizonte e falei comigo mesmo: – Vambora, há muito o que fazer!

Iêda Vilas Bôas

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