Motocicleta rural-

Na roça, a montaria animal sempre foi uma mão na roda. Ainda hoje, em muitos lugares, um bom cavalo é sinônimo de fartura e bom gosto, que ajuda nas lidas da lavoura, no tanger de boiadas, nas visitas a vizinhos e idas à cidade. Pois é, mas os tempos mudam. Nas últimas três décadas, o que antes era feito primeiro de jegue ou cavalo e em alguns casos de bicicleta, passou a ser feito de moto.

Um estudo do Observatório de Mobilidade e Saúde Humanas do Estado de Goiás sobre o epidêmico problema das mortes por acidentes de trânsito faz uma revelação surpreendente. É crescente o número de acidentes fatais com motos na zona rural, tanto no uso da moto como veículo de deslocamento, quanto no transporte de cargas, ferramentas e pessoas.

Os técnicos foram atrás de explicações e constataram que cada vez mais essa é a montaria preferida no campo. Máquinas potentes servem pra tocar boiadas, vistoriar pastos e lavouras ou visitar vizinhos e ir pra cidade.

Em grande parte, pilotos sem habilitação nem capacitação para usar motos na feitura de cercas de arame, na derrubada de cupins, na roçagem de pastos, ou mesmo para levar crianças para a escola, parente para tratamento médico, ou trazer alguém de casa para fazer compras na cidade. Daí, são quedas fatais em grotões e choques nas estradas.

Estudos mostram que isso se dá pelo fato de que o poder aquisitivo das famílias do campo aumentou muito na última década. Em consequência, o trabalhador rural já não se desloca a cavalo para as periferias das grandes cidades. Agora que os que permaneceram em suas casas localizadas nos pequenos povoados, ou que ainda vivem na zona rural viram os serviços básicos alcançá-los (educação e saúde) e sua vida melhorar, todo mundo quer ter moto, e trabalhar e passear com ela.

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