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O Cântico da Terra – Hino do Lavrador

Por Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.

Do meu barro primeiro veio o homem.

De mim veio a mulher e veio o amor.

Veio a árvore, veio a fonte.

Vem o fruto e vem a flor.

 

Eu sou a fonte original de toda a vida.

Sou o chão que se prende à tua casa.

Sou a telha da coberta de teu lar.

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A mina constante de teu poço.

Sou a espiga generosa de teu gado

e certeza tranquila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.

De mim vieste pela mão do criador,

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e a mim tu voltarás no fim da lida.

Só em mim acharás descanso e Paz.

 

Eu sou a grande Mãe universal.

Tua filha, tua noiva e desposada.

A mulher e o ventre que fecundas.

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Sou a gleba, gestação, eu sou o amor.

 

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.

Teu arado, tua foice, teu machado.

O berço pequenino de teu filho.

O algodão de tua veste

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e o pão de tua casa.

 

E um dia bem distante

a mim tu voltarás.

E no canteiro materno do meu seio

tranquilo dormirás.

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Estribilho:

 

Plantemos a roça.

Lavremos a gleba.

Cuidemos do ninho

do gado e da tulha.

Fartura teremos

E donos do sítio

Felizes seremos.

Cora Coralina – “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, Editora Global, 2003.


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