O mito da mandioca

Conta um mito do povo tupi [sobre a origem da mandioca], difundido por toda a América do Sul, que muitos anos atrás uma bela índia tupi deu à luz uma indiazinha de pele clara e cabelos loiros, a quem a tribo passou a chamar de Mani.

Por José Gil Barbosa Terceiro/Causos Assustadores do Piauí

Mani foi crescendo e ganhando a simpatia de todos que tinham a oportunidade de conviver com ela, não só por suas características incomuns, mas também por ser uma criança muito esperta e portadora de uma felicidade contagiante, estando sempre a sorrir.

Um dia, a menina amanheceu adoentada  e não tinha quem conseguisse fazê-la se levantar da rede.  O  pajé  celebrou  rituais  de cura e ministrou poções à base de ervas medicinais, mas foi tudo em vão. A menina não resistiu e acabou morrendo.

Como era costume de seu povo, Mani foi sepultada dentro da oca em que vivia. Toda  a tribo compareceu ao enterro, e a lágrima  do povo tupi inundou o solo da oca. Passados alguns dias,  no  lugar  em  que  enterraram a menina, nasceu uma planta até então

desconhecida. Os índios resolveram cavar para ver que planta era aquela, tiraram-na da terra e ao examinar sua raiz viram que era marrom por fora e branquinha por dentro.

Os índios perceberam que a planta poderia ser usada como base de muitos alimentos: sua própria raiz era comestível e com ela fabricaram farinha e cauim, uma bebida de gosto forte. Até mesmo as folhas tinham sua serventia. Perceberam, assim, que a planta que fornecia alegria e abundância para os índios era um presente dos deuses.

A planta passou a ser chamada de mandioca (Mani + oca – casa de índio), por ter surgido dentro da oca, no lugar em que Mani foi sepultada. Até hoje, a mandioca é utilizada para inúmeros fins, em especial no Nordeste, onde acontecem as tradicionais farinhadas, em que se produzem farinha, tapioca e outros derivados.

José Gil Barbosa Terceiro – Advogado. Folclorista. Gestor do site Causos Assustadores do Piauí, citando como fonte NOLÊTO, Rafael. Mitologia Piaga: Deuses, Encantados, Espíritos e outros Seres Lendários do Piauí. Teresina: Clube de Autores, 2019.

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