Por Pedro Tierra

Na dança dura do dia
entre os dedos da rendeira
os bilros trançam nos fios
a renda da vida inteira.

Os bilros são brasas negras
a crepitar infinitas
espumas de rendas brancas.

Nessa trama dos aflitos,
nessa dança dos contrários
a renda tece a rendeira
na ponta escura dos bilros.

No fio longo dos dias
a brasa viva dos bilros
urde o corpo da rendeira
nas linhas do seu destino,

destino de labirintos
de sonho em renda desfeito,
consumido na fogueira,
na trama de cada bico.

Pedro Tierra – Poeta, no livro “O Porto Submerso”. Brasília: Edição do Autor, 2005.

 

 

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