Atiro-me nos teus braços todos os dias. Atira-se também aos nossos olhos o poeta e seu amor imenso e intenso: “(…)humildemente hei de agradecer a acolhida tão honrosa, mas agora, alma em descanso, direi que foi nos teus braços que me encontrei”(…).

 

Por Átila de Almeida Ribeiro

 

Atiro-me nos teus braços todos os dias.
Atiro-me como se nada mais houvesse,
como se me restasse uma bala,
como se eu tivesse apenas sete vidas.
Atiro-me nos teus braços todos os dias, e o faço com a simplicidade das tarefas diárias, como regar o jardim e trocar os lençóis,
e como se o dia não tivesse o menor sentido.
Atiro-me nos teus braços para descansar da vida e me esconder da morte.
Atiro-me nos teus braços, envaidecido, porque pertencemos um ao outro, e já não pertenço mais às transgressões, às subversões, e aos pecados.
Atiro-me nos teus braços porque o tempo é curto,
embora eu não me lembre mais dele.
Atiro-me nos teus braços por rancor e perdão.
Atiro-me porque é tão digno e porque nossos signos desde o início já nos avisavam.
Atiro-me nos teus braços como que por ofício e transfusão.
Atiro-me nos teus braços mesmo quando distante e digo que a cada instante atiro-me mais.
Atiro-me nos teus braços porque sei que vou fazê-lo até o fim.
E quando vier o fim terei que atirar-me nos teus braços de qualquer espaço que no céu me couber.
Amparado pela Virgem piedosa, humildemente hei de agradecer a acolhida tão honrosa,
mas agora, alma em descanso, direi que foi nos teus braços que me encontrei
e foi nele que sempre desejei partir.

Átila De Almeida Ribeiro é advogado em Volta Redonda – RJ , escritor e filósofo. O autor é parceiro da ALANEG – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano/RIDE e colaborador da Xapuri Socioambiental.

 

Imagem ilustrativa – óleo em tela de Hebe Fagundes – artista plástica, professora de artes cênicas, Estudou na instituição de ensino Faculdade de Artes Dulcina de Moraes FBT. Em suas telas a magia do movimento, suas todas emoções em cores fortes e a marcação presente da vida humana. Ela é defensora dos direitos humanos, dos animais, da natureza e de muitas causas nobres.

A tela recebe o nome de “pas de deux” em tecidos – A chama. Essa obra faz parte da série “Círcaro” que a artista fez em memória de seu filho Ícaro, que precocemente virou uma estrela!

 

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