Em tempos obscuros de pandemia, a dureza da vida incita uma dose de poesia.
Difícil é encontrar alguma brecha para o sentimento leve fluir.
Parece que as imagens e palavras ancoram no fundo do oceano do medo.
Para buscar a poesia, nada melhor do que sonhar.
Inscrevi-me em um curso nessa época de claustro forçado.
Graduação em Sonhos.
As aulas acontecem sempre mais ou menos no mesmo horário, entre vinte e três horas e seis e meia da manhã.
Gratuitas, por sinal. Basta fechar os olhos e deixar acontecer. Se de poesia o sonho carecer, não faz nenhum mal.
Uma revirada na cama costuma ser o suficiente para encerrar o tema na aula e dar início a outro completamente diferente.
Consegue-se realizar uma íntima proeza. Viaja-se para dentro de si.
Visita-se aquela criança inocente e feliz que adormeceu bem dentro do eu, com suave delicadeza.
Abraça-se quem um dia se foi deixando a angústia da grata saudade. Conhecem-se lugares novos e encantadores que, de tão intensos, parecem de verdade.
Ao término da jornada de aulas, inicia-se mais um dia.
Ainda que lá fora o mundo continue rude ao extremo,
dentro da alma sopram-se sonhos que se convertem em uma singular dose de poesia.

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