EROS E PSIQUÊ

Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Para entender melhor o poema:

Carl Jung usou o termo Eros para denotar o fundamento básico do psicologia feminina, disse:

“A psicologia das mulheres é fundada principalmente em Eros, fortemente ligado ao desprendimento, visto que nas épocas antigas o principal atributo relacionado aos homens é Logos. O conceito do Eros podia ser expressado nas épocas moderna como uma ligação psíquica, e o Logos com o interesse objetivo.”

O que aponta na sua teoria do sizígio do anima/animus da psique masculina e feminina (def. sizígio: termo astronômico para oposição de um planeta em relação ao sol, mais precisamente a Lua — Lua e Sol, Feminino Masculino). De acordo com Jung, os homens possuem o anima no seu inconsciente, que é uma caricatura do Eros feminino. Está separado do individualização pessoal para que os homens confrontem seu anima, aceitando o Eros (um traço eliminado pela sociedade falocrática (patriarcal). Também intrínseco a isto é a habilidade de ver além do ego projetado e de assimilar isto em nosso ser consciente. Este é Eros, como “desejo para o perfeição,” que é necessário para nós nos sintonizemos com nossa personalidade. Compreendendo “o amor passional” e o “desejo pela perfeição” como “a ligação psíquica” Jung demonstra também que o desejo pelo amor é um desejo para a interconexão e a interação com outros seres conscientes ou sensíveis.

Então:

Logos: principio da psique masculina, A busca pelo insólito, pelo diferente, é em outras palavras a busca pelo transcendente, e sem dúvida tal busca movida pelo anseio de descobrir o novo, germinada pelo sonho, a tirania, a liderança, a imposição, a criação.

Eros: principio da psique feminina, amor passional, o cuidado, a proteção, a sobrevivência, devoção, amor sem a necessidade da atração física, a manutenção, a criação, a educação, o cuidado, a alimentação.

Anima: alma animadora, a parte feminina dentro da psique masculina, normalmente a influência da mãe ou da figura feminina importante na criação do homem.

Animus: alma animadora, a parte masculina dentro da psique feminina, normalmente a influência do pai ou da figura masculina importante na criação da mulher.

A sizígia, a união de opostos, não só em nível subjetivo, mas também na concretude das relações interpessoais homem-mulher.

O mito de Eros e Psique é um belo exemplo deste processo. À moda de um conto de fadas antigo, a estória narra que a jovem Psique tem que cumprir quatro tarefas para obter o amado Eros e a última destas só é realizada pela interferência do deus, numa sizígia de amor.

Fonte: Trilhas e Hierophant   

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