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Meu canto não grita terra à vista

Arranhada na lâmina das incertezas, a garganta não afina. Meu canto não grita terra à vista. É saveiro nas mãos de um vento sujo de esperanças, navegando a lama tóxica das minas que ferem o corpo da minha terra, onde se escondem animais devoradores de alegrias.
 
O magma das palavras engavetadas escorre lento, incinerando de saudade a gema da alma. Lava. Escorre pela carne queimada das lembranças. No andar amiudado dos dias, o percurso cambaleante das horas, onde o minuto se demora nos avessos. Ampulheta de vivências. Poente do alumbramento. Quisera achar nome para esse vendaval…
 
Acordo num tempo agalopado, onde martelam lembranças em águas turvas de sangue e cal. Na Calunga do meu cantar, o encontro de todos os rios. Aguadeiro das incandescências dessa estrada, nosso futuro na boca do sumidouro. Todo lugar é poço. Não estamos na beira do cais. Nem vejo ponta de areia. Ponto final.
 
in “Janela Enluarada” de Fernanda de Paula com ilustrações de Letícia De Paula – Carpe Librum Editora
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