Por Fernanda de Paula

Sob a copa frondosa do meu silêncio dorme uma candeia de luz ainda não acesa.

Lembranças vivas, saudades quase sólidas.

Tudo interrompe com inexorável indiferença a gestação do amanhã.

Planto sementes de coragem no canteiro da fé, enquanto meu peito cantador degola com punhais cegos os amores de mentira.

Bebo rajadas de sons encarnados, caídos das tempestades de areia da minha alma deserto.

Com a coluna retesada de tristezas não reveladas, ainda amo com a força de um baobá.

Flores de cimento nascem na lápide da nossa história incandescente de lembranças.

Tento pegar o beija-flor que zumbe aflito no galho mais alto do meu sonho, enquanto a lua fere o tecido azul-marinho da madrugada esturricada de lacunas.

Com água pouca, ergo um brinde ao perdão. Que a vida floresça em proteção, e que nossos corações possam dormir em paz nesse ninho de flores de lã e pedra.

Fonte: Janela Suspensa

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