Sua aura, sua alma;

a vertigem de tocar os olhares, e, pois, por as mãos em você.

Talvez o toque aveludado de suas costas

que descem e vem cascateando

em minhas mãos asperejando o desejo que jamais tiveram,

não seja este para mim – o toque.

Talvez o sonho, um delírio, desse, ou desse a mim, esse seu corpo,

seja não, não seja para mim, ou sim.

Enchi minhas mãos de sua tez,

encantei meu olhar com seus olhos mansos

de pouco maliciar (e que olhos!).

Seu jeito de sorrir como criança,

dar a si à antagônica austeridade com pouca idade.

É, você o é. Para mim: um conflito encantador.

E quando o poeta poetiza, devo, tal qual um escravo,

de palavras e sonhos, sempre amar paradoxos errantes

(ou acertantes, como preferir você).

Mas, talvez, estivera errado eu mesmo.

Em sonhar, ou em olhar, ou tocar.

Sempre estou, erro como ser humano,

acreditando em um mais Deus e pedindo sempre outro perdoar,

mas, digo – pois, você, e para você, em segredo:

às vezes creio que o perdão seja só figuração

num dicionário pobre e obsoleto de emoções.

Os olhos se encheram mais que para dentro,

salgando a alma boba de encarnado encantado.

Talvez não tenha sua alma se conhecido de mim,

talvez eu não tenha o que vale de cores para sua aura,

seja de sombras, e luz, que fazem as sombras, jamais cores.

Talvez eu seja de fato um ser estranho,

oposto ao que é e certo e regra,

que desencaixado tenta agradar. A você.

Talvez o toque aveludado de suas costas

que descem cascateando em minhas mãos

o desejo áspero e despudorado que jamais tiveram,

não seja esse para você. Também.

Tentei e andei mais que meio caminho,

sem contar passos, sem saber a volta. Sou de estrada.

Vou pela sombra ou pela luz, caminho e busco.

E busco, acho, perco. Peço perdão.

É a sua tez que hipnotiza a poesia.

Faço de abrigo qualquer brisa

que me tome os pulmões de etéreo eterno ar:

e eis que seja feito de mim o que o universo,

sob o cinturão de estrelas que regem mais que a mim;

destino de tudo, sim; que seja assim, qualquer que seja o sim.

Mas que ele seja de mim ou para mim

o que eu jamais pude ser

quando eu enchi a minha mão

e cascateei seu destino em silêncio

com minha saliva áspera de estrada:

auras a amar o sinérgico das almas.

Arranhando com minha barba seu corpo

constelado que eu surdamente pedia amar.

Um universo sei que talvez eu não seja de ali.

Maldito sou eu de tocar, e por todo o contato,

olhar e pela poesia – até por pensar.

Mas, mais, mãos.

Dê a mim antes só mais um afagar,

deslise sua mão em minha pele calejada

e despeça do encanto do tempo o próprio eu

que de mim aqui por você restou,

e todo o resto que já não mais ficou.

Partiu sem dar sequer uma morada ou olhada a mais.

Jamais assim pensei. Ou quis. Contato.

Apontei meu dedo em seu pulsar e apertei como punhal,

voltaram- me cinco ou mais; antes não metáfora fosse.

Para mim eram poéticas realidades.

Nunca fui de pouca sorte sorte, sempre fui filho de amor;

o Rio que corre de mim é tudo, menos Maravilhoso.

Não quando há falta de você. De sua aura a encantar redenção.

E a mim restou de poema um estorvo, talvez, e…

Ainda assim penso que talvez eu ainda lembre como era amar. Perdão.

 

Rio de Janeiro, 26 de Março de 2020.

Reinaldo Filho Vilas Boas Bueno

 

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