TRAVESSIA

batista filho

não vi o farol
não vi o porto.
atento à tempestade
tampouco vi o céu.

vivi meu tempo
menos pelejando
com a fúria dos ventos
e sim
em busca do que habita
as profundezas abissais.

mergulhei como quem voa
e ao dobrar o tormentoso cabo
quase quebro a esperança.

foi quando
um velho pirata
– sem dentes
sem perna de pau
sem tesouro
sem nada –
gritou:

– oh!, infeliz:
deixaste tua alma
no alto do ararat!

ri do farol
do porto e do céu
que não vi
que não vi.

ri das tempestades
e dos ventos.
ri de mim mesmo
… e chorei abissais mar&anas.

procurei o velho pirata
que pouco antes
comigo gritara
mas à exemplo
do farol, do porto e do céu
não vi nada. nada!

ao atravessar
a praça da graça
foi que percebi
espelhado numa vitrine:

sem dentes
sem perna de pau
sem tesouro
sem nada
– era eu, o velho pirata.

Fonte: Facebook

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