Documentário expõe o esquema que fraudou a democracia brasileira

O documentário francês, “Driblando a Democracia”, dirigido por Thomas Huchon, descreve com detalhes a trama que envolve as fake news do fascismo.

Por Redação Hora do Povo

O vereador Carlos Bolsonaro, “o zero dois” do clã de Jacarepaguá, que comanda o chamado “gabinete do ódio” de Bolsonaro, deverá ser convocado para a CPI que investiga o uso criminoso das redes sociais, conhecida como CPI das fake news. Este método ilegal de falsificar notícias foi usado em algumas eleições mundo afora e, inclusive no Brasil, criando o que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, considera um “mundo que viraliza o ódio às instituições”.

Formalmente já foi convocada para depor Rebecca Félix, assessora do Palácio do Planalto que, antes de assumir esse cargo, exerceu a função de coordenação de mídias da campanha de Jair Bolsonaro. Foram chamadas também para prestar esclarecimentos as provedoras Claro, Nextel, Oi, Tim e Vivo.

Já a lista das empresas de serviços convocadas traz a AM4, CA Ponte, Croc Services, Deep Marketing, Enviawhatsapp, Kiplix, Quickmobile, SMS Market e Yacows. Todas elas trabalham com comunicação direcionada por meio de mídias digitais. Algumas delas estiveram vinculadas à campanha bolsonarista de 2018.

Teias internacionais

As teias internacionais desse esquema criminoso e fraudulento de roubo e manipulação de dados pessoais, que adulterou o processo político nos Estados Unidos e na Inglaterra, só para citar os dois exemplos mais conhecidos, e no Brasil também, deverão ser investigadas, já que há empresas e pessoas, entre elas Steve Bannon, que estão presentes nos bastidores de todos esses processos, inclusive como “conselheiro” da campanha de manipulação da opinião pública ocorrida no Brasil.

O documentário francês, “Driblando a Democracia”, dirigido por Thomas Huchon, descreve com detalhes a trama que envolve as fake news e o uso de dados de milhões de pessoas pela misteriosa Cambridge Analytica, para fraudar eleições. Ele mostra também a ação de poderosos empresários americanos de extrema direita no processo de manipulação da opinião pública com vistas a alterar resultados eleitorais e impor seus pontos de vista reacionários ao mundo.

Neste documentário, alguns protagonistas obscuros transitam com desenvoltura pelo submundo das fraudes eleitorais. O primeiro deles é Robert Mercer, um engenheiro bilionário, oriundo da IBM, que enriqueceu usando “algoritmos” para manipular o mercado financeiro, através de seu fundo especulativo “Renaissance Technology”.

Com fórmulas matemáticas secretas, ele se especializou em dar golpes e transformou esse fundo no mais rentável do mundo. Em dez anos, ele passou a obter taxas de crescimento de 30 a 35% ao ano.

Bilionário fascista comanda a fraude

Sebastian Mallaby, o único jornalista a entrevistar Robert Mercer, quando do lançamento de seu livro “Mais rico que Deus” sobre os hedge founds, afirmou que Mercer disse que se pudesse passaria a vida inteira sem falar com ninguém.

A declaração revela que o bilionário não passa de um egocêntrico reacionário que, ainda por cima, tem a maior coleção de armas de fogo dos EUA. “Preferia a companhia de animais a de seres humanos”, contou Mallaby.

Mercer e sua “fundação” abastecem regularmente com recursos milionários organizações fascistas nos EUA e no mundo.

Entidades reacionárias recebem fortunas da Mercer Family Foundation. Balanços de 2012 a 2015 desta fundação revelam alguns dos beneficiados do bilionário. A Heritage Foundation recebeu US$ 1,5 milhão. A Media Research Center, que, como Bolsonaro, denuncia a “influência” da esquerda na mídia, recebeu US$ 12 milhões. O Government Accountbility Institute, que aponta suposta corrupção sempre culpando os setores progressistas, recebeu US$ 4 milhões, e assim por diante.

O outro personagem do grupo é o seu funcionário e lugar tenente na fábrica de fake news, o jornal direitista Braitbart News, Steve Bannon. Bannon é um ex-operador da Goldman Sachs, ex-produtor de Hollywood, admirador do nazismo e coordenador de campanha de Trump.

Formam também o núcleo duro do grupo de Mercer, Kellyanne Conwei e David Bossie, esses dois, assim como fez Rebeca Félix no Brasil, passaram a ocupar postos de assessoria no governo.

Especialidade é fraudar eleições

Nos primórdios de seu plano de ação macabro, Robert Mercer apresentou um recurso junto à Suprema Corte americana para mudar a lei de financiamento de campanhas eleitorais. Robert Mercer foi vitorioso e começou a montar seu esquema de fraude para a eleição de 2016.

Através do decreto chamado Citizen United, os candidatos passaram a poder financiar as campanhas por dois métodos. Um pela campanha oficial, que apresenta limites definidos, e outro, por “comitês de apoio”, que podem arrecadar e gastar recursos sem nenhum controle. Mercer passou então a agir mais intensamente.

Ele inicialmente entrou na campanha do republicano Ted Cruz, mas, diante de sua derrota nas prévias, trocou de cavalo. Criou o comitê de apoio a Trump (Make America number one) injetando de cara US$ 15 milhões. Fez isso, mas exigiu que seu braço direito, Steve Bannon, assumisse a coordenação da campanha.

Num primeiro momento Trump resistiu, mas quando saiu o resultado do Brexit – sobre a saída da Inglaterra da União Europeia -, em 23 de junho de 2016, e ele soube que Mercer tinha colocado a Cambridge Analytica no plebiscito inglês, convenceu-se e, não só contratou a empresa, como colocou Steve Bannon na sua coordenação de campanha.

Os recursos não entravam principalmente pela conta da campanha. O financiamento se deu de forma ilegal e oculta, por parte do comitê de apoio formado por empresários. Muito parecido com os apoios secretos dos donos da Havan, Localiza, e outros picaretas por aqui, na campanha de Bolsonaro.

O dinheiro começou a entrar na “Glittering Steel produção audiovisual”, de propriedade de Steve Bannon. A empresa fica no mesmo endereço do jornal Braitbart News, em Los Angeles. Aqui no Brasil o “zero dois” comandou um esquema parecido nas redes sociais.

A entidade “Centro Legal de Campanha”, órgão de acompanhamento eleitoral americano, denunciou esse esquema como prática de contribuições ocultas por parte da campanha de Trump. O mesmo esquema foi denunciado no Brasil, como os pagamentos milionários feitos a empresas como Enviawhatsapps, AM4, Quickmobile, Croc Services, SMS Market e Yacows.

Os crimes visando manipular a opinião pública começaram com a compra ilegal de dados das redes sociais, principalmente do Facebook, por parte de empresas controladas por Robert Mercer e Steve Bannon. Conforme se admitiu, 87 milhões de perfis e dados pessoais de seus usuários foram apropriados por essas empresas.

O método criminoso usado pela Cambridge Analytica de bombardeios com fake news é conhecido também no Brasil porque ele foi usado intensamente na campanha de Bolsonaro. Fabricação de fake news aos milhões com ataques a adversários. Envio de fake news às pessoas cujo perfil era determinado por “estudos” psicométricos obtidos ilegalmente.

Essas fake news são enviadas exclusivamente para as pessoas que são os alvos da campanha. Elas chegam ao seu destino, influenciam as pessoas com mentiras, ameaças e convocações. A mensagem é sintonizada com a psicologia da pessoa. Depois de vistas, as mensagens desapareciam sem deixar rastros. Por isso, pareciam surgir do nada as ondas de ódio provocadas pelas mentiras produzidas na campanha de Bolsonaro.

Esta empresa só passou a ter esse nome quando chegou aos EUA. Na Inglaterra ela se chamava SCL (Group Strategic Communication Laboratories). Nos EUA ela associou a Robert Mercer e Steve Bannon assumiu sua direção.

Empresa presta serviço para a NSA

Há 25 anos no “mercado”, a SCL presta serviços ao setor militar, comercial e ao setor de eleições. Trabalham com “op-psys”, termo do jargão militar para operações psicológicas. Operações psicológicas são operações para transmitir informações e indicadores selecionados às audiências para influenciar suas emoções, motivos e raciocínio objetivo. Por fim, com esses métodos, os usuários de seus serviços passam a ter controle sobre o comportamento de governos, organizações, grupos e indivíduos.

Em seu laboratório, agentes usam supercomputadores e compilam e analisam bilhões de informações sobre os indivíduos a fim de melhor compreendê-los. A meta é influenciar o comportamento humano para poder obter ganhos. Entre os clientes desta empresa estão a OTAN, o Ministério da Defesa Britânico, a NSA (agência de espionagem americana) e o Departamento de Estado dos EUA.

A SCL se gaba, em sua propaganda, de ter ajudado os EUA na invasão do Afeganistão. Diz também que organizou manifestações na Nigéria em 2007 para influenciar a eleição.

Ex-funcionário denunciou esquema criminoso

Christopher Wylie, um gênio da informática e ex-funcionário da Cambridge Analytica, foi o primeiro a denunciar os crimes da empresa. Ele esteve no centro da operação de captura dos 87 milhões de perfis de cidadãos norte-americanos por parte da empresa. Percebendo que a ação na eleição de Trump era criminosa, ele decidiu sair da empresa e denunciar seus crimes.

Wylie relatou que o processo de manipulação das pessoas por parte da Cambridge Analytica foi possível graças ao uso do aplicativo de Alexander Kogan, o cientista de dados, que desenvolveu o sistema que permitiu à Cambridge Analytica coletar e analisar os dados pessoais de 87 milhões de usuários do Facebook. Foram esses dados que, segundo ele, permitiram desenvolver os algoritmos. Um milhão de dólares foram investidos neste projeto.

A jornalista americana Carole Cadwalladr, revelou alguns detalhes do esquema montado pelo império de Robert Mercer para influenciar eleições. O Breitbart News, site na internet especializada em Fake News, associada com a Glittering Steel produção audiovisual, formaram o bunker para eleger Tump.

Eles compilaram milhões de informações do comportamento da população americana deixadas por sua vivência digital. De cada pessoa eram obtidas de 4 a 5 mil informações. Informações sensíveis como abertura, consciência, extroversão, amabilidade e neuroses eram avaliadas.

Esses dados pessoais foram comprados pela Cambridge Analytica. Ela os obtinha também junto aos bancos, sociedades de crédito, Previdência Social, além do Facebook, Google e Twitter. Eles passaram a saber exatamente a mensagem que deviam enviar a cada pessoa.

Essas informações todas foram criadas pelo Facebook através de testes banais que as pessoas respondem na internet. Além disso, são captadas informações comportamentais através dos sites e buscas pelos quais as pessoas navegam.

Esses dados pessoais captados são vendidos. A partir desses testes e dessas informações, são feitos algoritmos para definir os perfis psicológicos detalhados. Assim são formadas as bases psicométricas sobre as quais agem os criminosos como Bannon.

Manipulação de pessoas

A Cambridge Analyitica aplicou um teste psicológico para 300 mil pessoas nos EUA, que foram, inclusive, remuneradas para isso. A empresa teve acesso também aos amigos dos entrevistados. Foi assim que eles chegaram a 87 milhões de pessoas. Depois de capturados esses dados, eles foram transformados em planilhas com a interpretação psicométrica da personalidade de cada um para chegar aos perfis de tendência política.

No Brasil, o estupro à democracia por parte de Bolsonaro e Steve Bannon também será investigado pela CPI das Fake News. Entre os 86 requerimentos já feitos, estão convites para que acadêmicos, ativistas, jornalistas e autoridades participem de sessões, embasando os trabalhos da CPI em suas diversas frentes. A comissão também convidou personalidades que foram vítimas de ataques virtuais e de notícias falsas, como as atrizes Giovanna Ewbank, Carolina Dieckmann e Taís Araújo, a produtora cultural Paula Lavigne, o cantor Caetano Veloso e a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS).

Foi aprovada também uma audiência pública com a participação de executivos de Google, Twitter e Facebook. Na semana passada, a CPI já havia aprovado a convocação dos representantes dessas empresas, bem como do Instagram, do WhatsApp e do Telegram, para prestarem depoimento. A audiência também contará com a InternetLab e a SaferNet Brasil, duas entidades não-governamentais que atuam na área da responsabilidade da internet. Começa a ruir mais um esquema criminoso.

Fonte: Hora do Povo

 

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