O governo Bolsonaro enfrenta seu maior desafio.

O crescimento econômico e político das milícias, o estímulo dos Bolsonaro à indisciplina duas policias, seus ataques constantes às instituições, tudo isso levou ao seguinte quadro:

  1. Os Bolsonaro estão envolvidos até a tampa com as milícias. O pacto de silêncio delas depende de duas circunstâncias: a certeza de que os Bolsonaro manterão o poder; a convicção de que manterão sua lealdade aos antigos aliados.
  2. Porém, não haverá como Bolsonaro, pai, impedir as ações oficiais contra as milícias e os amotinados, porque, a partir dos tiros em Cid Gomes, virou questão de segurança nacional. Jair teve que desdobrar fibra por fibra o coração, para autorizar o envio de forças do Exército ao Ceará. Mas não teve opção. E nem adiantou o remendo de declarações do filho, pela Internet, apoiando as sedições. Obviamente os rebelados do Ceará não tem ligações com as milícias de Bolsonaro. Mas fazem parte de seu bloco de apoio.
  3. O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro iniciou o cerco financeiro à economia das milícias. Com o caso Adriano Nóbrega expondo as vísceras da lavagem de dinheiro das milícias, não haverá como impedir que Receita – e Polícia Federal – avancem sobre as vaquejadas e outros ramos de exploração.
  4. Adriano Nóbrega, fiel aliado, tombou na Bahia. E o máximo que recebeu de Jair foi o silêncio obsequioso. Ronnie Lessa está preso, como preso está o motorista Élcio Queiroz. Agora, falta cair a peça principal, Fabrício Queiroz. Aí ficará claro que é cada um por si.

É quando as bases se sentem abandonadas que se quebra o pacto de silêncio.