Weintraub: em cuanto a genti si destrai com bobajens…

Por Eric Nepomuceno

A falta absoluta e irremediável de noção começa com o próprio Jair Messias e sua capacidade amazônica de vassalagem e vulgaridade diante de Donald Trump. E com involuntárias mostras de ironia: ver o presidente da maior, mais populosa e mais rica das comarcas latino-americanas sentado diante de um aparelho de televisão acompanhando, atento e deslumbrado, o pronunciamento de seu desvairado ídolo, já seria de um ridículo grotesco.

Onde a ironia? Ora: Jair Messias se exibiu assistindo, magnetizado, à transmissão pela Globo News, que pertence ao grupo que ele gostaria de literalmente mandar pelos ares.

E aí vem o indefectível ministro da Educação – Educação! – e dá outra reforçada mostra de seu insuperável domínio do idioma, sapecando um esplêndido ‘imprecionante’.

Mesmo em se tratando de quem se trata, é realmente impressionante. Qual, porém, a importância da nova bizarrice?

Semelhante besta foi convocada ou convidada nada menos que sete vezes para prestar esclarecimentos no Congresso. Ou seja, quase uma vez por mês desde que assumiu o ministério da Educação. E em cada minuto de cada uma dessas vezes esbanjou robustas demonstrações de empáfia e grosseria, além, evidentemente, de seu despreparo colossal para qualquer cargo ou função, quanto mais o de ministro do que fosse. E é lá mesmo, na poltrona ministerial, que ele continua depositando sua desprezível pessoa.

Alguma novidade no gesto patético de Jair Messias ou da comprovação irremediável de estupidez de Weintraub? Nenhuma.

O problema, na verdade, é outro: enquanto Jair Messias e o batalhão de vanguarda dos patéticos ministros distraem o respeitável público, outros setores do governo destroçam o país em velocidade crescente.

A Petrobras está sendo fatiada e dizimada; depois da reforma da previdência, instalou-se o caos absoluto no INSS; o superávit da balança comercial brasileira do primeiro ano de Jair Messias na presidência despencou para pouco mais de 46 bilhões de dólares, enquanto outros 44 bilhões de investidores estrangeiros voavam para fora do Brasil; em 2019, os dois ministros da Educação – um colombiano bizarro e o inacreditável Weintraud – só não fizeram nada porque conseguiram paralisar o setor, o que é quase tão daninho como seria não fazer nada.

E o desastre se estende: o número de novos empregos criados é ínfimo diante dos 12 milhões de desempregados e de pelo menos outros 28 milhões em situação precária ou de subemprego; passado um ano, neste janeiro de novo os sábios do sacrossanto mercado financeiro preveem o mesmo que previram em janeiro de 2019: a retomada do crescimento; sabem que é mentira, mas insistem: afinal, vivem disso, de especular, enquanto a indústria recua, o setor produtivo sofre e o desânimo se mantém suspenso no ar; ao mesmo tempo em que anuncia uma espécie de regresso aos tempos dos livros escolares de ‘educação moral e cívica’ da ditadura, Jair Messias atropela com fúria a autonomia universitária.

Diante desse quadro, as mentiras de Jair Messias (não sei a razão que faz com que os meios de comunicação suavizem para ‘fake news’: são mentiras absurdas, deslavadas, fruto de uma mente enfermiça) e as cretinices de Weintraub e companhia se tornam irrelevantes.

Nada irrelevante, porém, é a inércia, a letargia da oposição, a omissão cúmplice tanto do Congresso como dos tribunais superiores, o silêncio abestalhado das ruas.

Sim, sim, nos distraímos com patetices e bizarrices, e até agora não soubemos ao menos buscar, tentar, uma via efetiva de resistência e revide.

E cada vez mais essa falta de ação se torna lastimável, perigosa. Cada vez mais assombra e preocupa o silêncio que encobre o ar.

Fonte: Brasil 247

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