O Brasil nunca esteve tão isolado no mundo

Emir Sader

“O Brasil nunca esteve tão isolado no mundo, nunca foi tão achincalhado, nunca teve sua imagem internacional tão degradadas, nunca foi constantemente citado de forma vexatória, porque tem um presidente que não foi eleito democraticamente para representar o nosso povo e o nosso país”, escreve Emir Sader

O Brasil, que não há muito tempo, foi exaltado e reconhecido no mundo como um país líder da luta contra a fome, tendo em Lula o líder político mais reconhecido internacionalmente, passa, poucos anos depois, à paradoxal situação de maior isolamento que jamais o Brasil teve no mundo. Seu governo é execrado e situado sempre entre os governos mais fundamentalistas e antidemocráticos, seu presidente é ridicularizado e citado como o pior governante do mundo.

Seu ministro de relações exteriores age e fala como se o mundo estivesse em plena guerra fria, há mais de meio século atrás. Ninguém o leva a sério, nem mesmo o Itamaraty, que o tolera, envergonhado.

O país defende as mais retrógradas posições em foros internacionais, promovendo um retrocesso como nunca tínhamos vivido. Via de regra junto apenas aos Estados Unido e a Israel.
Nossos vizinhos se protegem e se distanciam do governo brasileiro, não apenas a Argentina, mas até o Paraguai, que nos dá lições de proteção da sua população da pandemia e fecha suas fronteiras, para não sofrer os efeitos descontrolados do coronavírus aqui.
O país não toma nenhuma iniciativa, seja porque não tem ideia alguma, seja porque seria alguma proposta destrambelhada, que não encontraria o apoio de ninguém. O presidente beija a bandeira dos Estados Unidos, da continência a dirigentes daquele país, louvado por ele, ao invés do Brasil. Sai do palácio presidencial cercado pelas bandeiras dos EUA e de Israel – recebendo até o protesto das entidades israelenses, pelo uso indevido dessa bandeira para um projeto ditatorial.
A política externa brasileira é uma projeção direta do que é o governo brasileiro. Um governo isolacionista, que só se interessa pelos interesses mesquinhos do presidente de se proteger das graves acusações que pesam sobre ele, seus filhos, e a corja que o cerca. Que só busca sobreviver, atacando e tentando eliminar os que aparecem como obstáculos a seus desígnios pequenos.
Um governo que se envolve em pequenos conflitos, sem sequer menção a que o país vai se tornando o novo epicentro mundial da pandemia, convivendo com a morte de mais de 600 pessoas por dia, sem palavra, nem menção ou atenção do presidente, envolvido em conflitos institucionais que lhe permitam controlar a Polícia Federal.
Um governo ultra neoliberal em tempos de ação estatal para proteger a população, em tempos de investimentos públicos para proteger os empregos, num país em que 62,1 milhões de pessoas se encontram em situação de fragilidade, sem os direitos elementares. Com um presidente que menciona várias vezes ao dia a Polícia Federal e nenhuma vez ao SUS, bastião no combate à pandemia, que sobreviveu às ofensivas neoliberais pelo seu desmonte.
Um governo desses só poderia ter essa política externa. Só poderia apoiar a posições mais conservadoras sobre temas de gênero, de ecologia, da paz no mundo, dos direitos humanos, das questões étnicas, da defesa dos organismos multilaterais, da resolução pacífica dos conflitos, da convivência  pacífica entre os distintos governos, da integração regional, da defesa dos países mais pobres do mundo, na defesa da democracia.
O Itamaraty, que já foi louvado como o melhor ministério de relações exteriores do mundo, está reduzido a um ministério de propaganda do governo mais excêntrico e reacionário do mundo. Os quadros formados por décadas em políticas de defesa da soberania nacional, tem que defender, envergonhados, posições na exata contramão dos valores com que foram formados.
O Brasil nunca esteve tão isolado no mundo, nunca foi tão achincalhado, nunca teve sua imagem internacional tão degradadas, nunca foi constantemente citado de forma vexatória, porque tem um presidente que não foi eleito democraticamente para representar o nosso povo e o nosso país.

Fonte: Brasil 247

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