Agronegócio: Importantes membros do setor se mostram preocupados com recentes declarações e políticas ambientais adotadas pelo governo.

Por Carolina Glogovchan / Assessoria de Imprensa e Link Building

Mudanças climáticas e a destruição de vegetação nativa brasileira podem prejudicar a produção rural e o agronegócio. Essa é a opinião de grande parte dos biólogos, agrônomos e especialistas. Em junho de 2019, o país teve um aumento de 88% no desmatamento da Amazônia em comparação com o ano anterior, de acordo com dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Entre os principais problemas está o regime de distribuição das chuvas. De acordo com a BBC News Brasil, apenas 10% das lavouras brasileiras são irrigadas. Com o crescente desmatamento e aumento das temperaturas, alguns fatores poderão ser alterados, como umidade, qualidade do solo, polinizadores e pragas. Todas essas condições prejudicam o cultivo de novas espécies – desde aquelas que são distribuídas para floriculturas de Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e todos o Brasil, até aquelas que fazem parte da refeição dos brasileiros.

O estudo Efeitos do Desmatamento Tropical no Clima e na Agricultura, das cientistas americanas Deborah Lawrence e Karen Vandecar, projetam que a redução das chuvas será sentida a mais de 3,2 mil km de distância da Amazônia, caso a região atinja um nível de desmatamento de 40% – atualmente esse número é de 20%. Em entrevista, o  pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), afirmou que os riscos gerados pela devastação ambiental na agricultura são uma ameaça muito mais iminente do que se imagina. “Já há evidências de que as mudanças climáticas aumentaram o número de eventos extremos, como secas e ondas e calor”, disse o especialista.

Alguns dos riscos principais estão relacionados com o aquecimento global e a devastação das florestas, capaz de modificar a quantidade de chuva e a temperatura em nível local e global, de acordo com as pesquisadoras. O uso indiscriminado de agrotóxicos também pode se voltar contra o próprio setor. Os cultivos dependem da polinização, já que os animais polinizadores, como abelhas, besouros, borboletas e vespas podem ser envenenados e morrer em contato com alguns tipos de inseticidas.

Das 191 culturas agrícolas de produção de alimentos no país, 114 (60%) dependem de polinizadores, segundo o Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Agronegócio está descontente com retórica utilizada pelo governo

Em meio a todas essas questões e por causa das pressões internacionais sobre a política ambiental adotada pelo Brasil, o próprio setor se demonstra descontente com a flexibilização de regras ambientais. Publicações estrangeiras, já criticaram a atual política ambiental do país, aumentando ainda mais a apreensão do agronegócio.

“Falar em garimpar em território indígena serve a quem? O governo deveria estar falando em métodos e processos para vigiar a Amazônia para valer”, afirmou o presidente do Instituto da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Roberto Brant. “Por que não gastamos para valer neste sentido, fazemos um grande ruído e mostramos isso (que o setor está protegendo a Amazônia) para o mundo?”, questionou.

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