Desumano Mundo Humano

Desumano Mundo Humano

Por Alessandro Diniz

Cerrados olhos e barriga cheia,

Mato minha fome na miséria,

Da ostentação das marcas,

Aos gritos dos que pregam na TV,

Mais fácil é a vida alheia.

 

Quero armas por direito,

Do deus dos exércitos, cortem-no a cabeça,

Da meritocracia sistemática,

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A nova idade das trevas,

Institucionalizemos o preconceito.

 

Nunca fomos irmãos, desumano mundo desumano,

Somos brancos, negros, pardos, mestiços,

Amarelos, vermelhos, e os de sangue azul,

Vamos queimá-los em uma cruz,

Apenas o sexo envolto em pano.

 

Revivamos a santa inquisição,

De voz alta bradam os protestantes,

Amálgama disforme de ideais falidos,

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Da fraternidade morta das mentes vazias,

Às beldades enricadas da corrupção.

 

Da sua diferença faço minha bandeira,

Dobro-te e moldo-te como origami,

Seja como eu ou por favor mate-se,

Nosso é o mundo e ditamos as leis,

Humano Mundo Desumano.

Alessandro Diniz, poeta da Resistência, natural de Passa Quatro, Minas Gerais. Poema enviado por Gabriel Vilhena. Imagem: Portinari – “Retirantes” – Reprodução.

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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