A última desgraça geológica no Haiti, que já tem bons anos, espalhou gente daquele país mundo afora. Muitos deles vêm pro Brasil, a partir de 2010, e aqui entram pela porteira do Acre, estado amazônico, que já foi boliviano e faz fronteira com a própria Bolívia e com o Peru.

Os haitianos chegam por ali porque é mais fácil. Saem do Caribe até o Equador, passam pelo território peruano e entram no Brasil, no mais das vezes, pelas mãos dos famosos coiotes, os agenciadores de mão de obra ou traficantes de gente do nosso vizinho andino.

Ou seja, mesmo que tenham saído do Haiti com alguma poupança nos bolsos, chegam aqui pelados, pois os tais coiotes confiscam tudo o que o cidadão tiver. A maioria gasta em torno de US$ 4 mil em duas semanas de viagem. E aí carecem da amizade e do carinho do povo brasileiro, para que se sintam em casa, tenham algum calor humano.

O governo do Acre faz as vezes do Brasil e acolhe os que chegam. Dá a esses imigrantes alguma esperança de uma vida digna. Muitos logo se arranjam em alguma atividade, especialmente em Rondônia, onde havia muitas obras em curso, na construção civil. Agora, com a conclusão das obras das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, o quadro mudou de figura.

De todo modo, os haitianos não são considerados refugiados, pois, em tese, não correm ameaça de morte em seus países. O conceito de “refugiado”, pelas normas internacionais, se refere aos ameaçados por razões políticas. Se a morte ronda no Haiti pela fome e doenças pós-terremoto, não cria esse direito.

Pesquisa realizada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República revela que cerca de 50% desses haitianos, quase todos homens jovens que viajaram sozinhos, não têm destino certo. Uma parte (16%) escolhe São Paulo e outra parcela, que passa dos 22% escolhe Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e outras cidades do Sul, onde se empregam no setor de serviços, na maioria.

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