Por Carlos Marighella

A terra tem tudo
e plantando é que dá.

E plantaram e plantaram
ou já estava plantado.
A floresta Amazônica,
o rio e os peixes
e o balacubau.

A Caatinga existia
com a braúna,
o mandacaru
e o gravatá cariango.
As coxilhas do Sul,
o maciço do Atlântico,
a Serra do Mar,
os pinheiros erguidos,
o rio Amazonas,
o rio São Francisco,
o rio Paraná…

Canaviais assobiando,
cortina verde estendida
sobre imensa extensão.

E plantaram café
e cacau e borracha…
E plantaram erva-mate…

Com o escravo e o imigrante
tudo se fez.
Comidas meu santo,
a mulata, a morena…
e até a loura surgiu.
A índia já havia,
a gringa veio depois.
Quem atrapalhou
foi gente de fora
que não trabalhou.

Eu canto a terra…
Todos sabem que outra
mais garrida não há…
“Teus risonhos, lindos campos têm mais flores”…
Bom! Lírios já houve,
mas agora é que não.

Eu canto a terra,
eu canto o povo…
Cantam os poetas
e cantando vão…

 

Carlos Marighella (05/12/1911 – 04/11/1669) – Revolucionário. Poeta. Publicamos este poema para registrar os cinquenta anos do assassinato de Marighella pela ditadura militar brasileira (1964-1985).

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