A economia solidária é [o modelo] que melhor realiza o conceito de sustentabilidade, em direta oposição ao sistema mundialmente imperante. Na verdade, ela sempre existiu na humanidade, pois a solidariedade constitui uma das bases que sustentam as sociedades humanas.

Mas já na Primeira Revolução Industrial, na Inglaterra, ela surgiu como reação à superexploração capitalista. Apareceu no final do século XVIII e inícios do século XIX, sob o nome de cooperativismo.

Nesse tipo de economia o centro fulcral é ocupado pelo ser humano e não pelo capital, pelo trabalho como ação criadora e não como mercadoria paga pelo salário, pela solidariedade e não pela competição, pela autogestão democrática e não pela centralização de poder dos patrões, pela melhoria da qualidade de vida e do trabalho e não pela maximalização do lucro, pelo desenvolvimento local, em primeiro lugar e, em seguida, o global.

A economia solidária se apresenta como alternativa à economia capitalista, mais ainda, como uma economia pós-capitalista porque se inscreve dentro da Era do Ecozoico e não apenas no Tecnozoico; é movida pelos ideais éticos de preservação de todo tipo de vida e de criação das condições para o bem-viver de todos.

Ela pode ser entendida, como o faz um de seus teóricos, Paul Singer, “como um jeito de produzir, vender, comprar, consumir e trocar sem explorar, sem querer vantagens e sem destruir a natureza”.

Esse modelo se concretiza mediante as cooperativas de produção e consumo, pelos fundos rotativos de crédito, pelas ecovilas, pelo banco de sementes creoulas, pelas redes de loja de comércio justo e solidário, pela criação de incubadoras de novas tecnologias em articulação com as universidades, ou até pela recuperação de empresas falidas e gestionadas pelos próprios trabalhadores.

Esse modelo não é, nem de longe, hegemônico. Mas ele carrega a semente do futuro. A sociedade mundial, na medida em que mais e mais sente os limites do planeta e percebe a impossibilidade de levar adiante o atual projeto planetário de molde capitalista e até o risco da extinção da espécie, verá neste modelo holístico de economia solidária que integra o humano, o social, o ético, o espiritual e o ambiental, como uma saída salvadora para a história humana.

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