Por Zezé Weiss

Meu sogro Irving Weiss foi quem me contou sobre Hunza, o lugar onde as pessoas vivem por mais tempo neste nosso planeta. Isso foi em meados dos anos 1980, e estávamos de mudança para o Paquistão.

Na viagem de ida, Joe e eu paramos por uns dias na Flórida para visitar Jeanette e Irving. Para me acalmar, Irving resolveu mostrar o lado bom daquela aventura: “Você vai conhecer Hunza, a terra da eterna juventude”. E seguiu contando maravilhas sobre o Vale do Rio Hunza, que fica nas montanhas geladas do Kush Hindu, no Himalaia, um dos lugares mais bonitos do mundo.

Um dia partimos de Islamabad em um voo da Pakistan International Airlines, viajamos por 1 hora até Gilgit, a cidade mais próxima, e de lá seguimos de Jeep para a terra encantada de Hunza, localizada a três mil metros de altitude, “descoberta” em 1916 por militares ingleses que faziam o mapeamento da região, à qual deram o nome de “Jardim do Éden”, em referência ao paraíso citado na Bíblia.

Em Hunza, o que primeiro se avista são imensos jardins de pessegueiros, cercados por montanhas cobertas de gelo. Em todo o Vale, vivem cerca de 30 mil pessoas, banhando em águas geladas e se alimentando basicamente de frutas e chás. Nesse lugar onde o povo vive muito, sem doenças graves e sem estresses, há relatos de mulheres férteis até os sessenta anos e de pessoas praticando esportes até os cem anos de idade.

Como o povo de Hunza fala um idioma próprio, o Burushaski, que só o povo de Hunza domina, mesmo tendo por perto a mais alta rodovia pavimentada do mundo, a Karakoram Highway, que liga a região de Xinjiang, na China, à região de Gilgit–Baltistan, no Paquistão, nada consegue tirar a paz dessa gente das montanhas que prefere manter certa distância da sociedade moderna e que consegue, segundo calendário deles, passar dos 120 anos de vida.

Estivesse vivo, meu sogro Irving, encantado faz tempo, conseguiria chegar fácil ao Vale de Hunza. Hoje há voos frequentes para Islamabad, e de lá se pode ir de avião ou de transporte terrestre até Gilgit. Dali por diante, é só se aventurar pelas curvas da Karakoram, entrecortadas por uma das paisagens mais belas do planeta Terra.

Vivi Dourado arteZezé Weiss – Jornalista

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