Parque Nacional da  Serra do Divisor

O Governo Peruano criou o Parque Nacional Sierra Del Divisor, uma das maiores reservas naturais do mundo com 1,3 milhão de hectares e com a maior concentração de biodiversidade do país, abrigando mais de 1,2 mil espécies de mamíferos marinhos, aves marinhas e peixes.

O espaço fica na fronteira entre Peru, Bolívia e Brasil. O Parque vai beneficiar 21 comunidades indígenas e nativos, além de melhorar a qualidade de vida de cerca de 230 mil pessoas que obtêm alimentos e fontes de água na região.

A criação da reserva faz parte do compromisso assumido pelo governo peruano na COP 20 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), no ano passado, de reduzir emissões de carbono em mais de 30%, além de preservar o território das ameaças de desmatamento, mineração ilegal e tráfico de drogas.

Do lado brasileiro, o Parque Nacional da Serra do Divisor, criado em  16 de junho de 1989 pelo Decreto-Lei no 97.839, possui uma área de 843.ooo hecatares, e está localizado nos municípios de Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul, todos no estado do Acre, na fronteira com o Peru. O topo da Serra do Divisor fica a 609 metros do nível do mar.

O nome Serra do Divisor se deve ao fato de que o Parque está em uma região onde se dá a divisão natural das bacias hidrográficas do Rio Ucayali (do lado peruano) e do Rio Juruá (no Brasil). Nessa região, a única via de acesso é o barco, desde as pequenas canoas dos ribeirinhos (muito usadas na época em que os rios ficam mais secos) até as embarcações de madeira, bem maiores, conhecidas como baleeiras e batelões, que servem para transportar pessoas e mercadorias.

Além de abrigar uma quantidade ainda indefinida de fósseis, segundo a Ciência, o Parque também abriga a maior biodiversidade da Amazônia, com várias espécies endêmicas de vegetais e animais. Considerado o quarto maior parque nacional brasileiro, o Serra do Divisor serve de casa para várias comunidades indígenas, ribeirinhas e de seringueiros.

A cachoeira Formosa é uma das mais belas da Serra
Caldeira usada na prospecção de petróleo da Petrobrás que deu origem em 1934 ao Buraco da Central

Um Parque pleno de belezas naturais 

 (Texto e fotos: lucianotavares@ac24horas.com) 

Inúmeras cachoeiras, corredeiras, piscinas de água natural e quedas d’água fazem da Serra o lugar mais belo do Acre. Da cadeia montanhosa jorram mananciais de água cristalina, que aos poucos vão ficando amarelas, devido à influência dos buritizais, espécie de grande ocorrência ao longo de toda cordilheira.

De um lado e outro a Serra abre passagem para o rio Môa, que passa por entre barreiras de pedra. Entre as inúmeras cachoeiras as mais conhecidas são a do Buraco Central, a do Amor, Ar-Condicionado, Formosa e cachoeira grande.

Pedras no rio Môa na chegada ao pé da Serra do Divisor

A cocheira do Buraco Central é de fácil acesso dentro da Serra. Fica na margem do rio. Ela surgiu pela ação do homem, após uma prospecção de petróleo feita pela Petrobrás em 1934.

No local foi feita uma perfuração de aproximadamente 700 metros, na busca de petróleo, mas que deu origem a uma espécie de olho d’água gigante que nunca para de jorrar água. A caldeira usada para prospecção até hoje se encontra no local.

O ambientalista autodidata Leoncio Cerqueira trabalhou durante nove anos na Serra para a ONG SOS Amazônia, como guia e mateiro. Segundo ele, a água que sai do Buraco da Central contém enxofre e é medicinal. “É uma água agradável, e que além de agradável cura problemas de pele”, diz.

Um pouco mais acima fica a cachoeira do Ar-Condicionado. Para chegar até lá é preciso caminhar por uma trilha por cerca de dez minutos. Diferente da água morna do Buraco da Central, a cachoeira do Ar-Condicionado possui uma água fria que vem do topo da montanha.

Quando cai, a água gera uma corrente de ar frio no local. Daí o nome de Ar-Condicionado, dado a cachoeira.

A cachoeira Formosa é sem dúvida uma das mais belas da Serra. Ela possui três quedas d’água, cada um com cerca de três metros de largura. A beleza se completa com a formação de uma piscina natural de águas escuras no pé da cachoeira.

Para visitá-la é preciso um pouco mais de tempo. São seis horas por uma trilha na floresta até o local.

Outro grande atrativo é o Mirante da Serra, de onde é possível avistar o rio Môa e uma grande planície do Parque do Divisor. A viagem até o topo do Mirante, dependendo do preparo físico de quem se dispõe a se aventurar é de até 50 minutos.

Cachoeira do Buraco Central, um dos pontos mais procurados pelos turistas

 

ANOTE AÍ:

Para visitar a Serra do Divisor é preciso primeiro estar autorizado pelo Ibama. O Parqe não dispõe de nenhum cronograma de visitação turística. Cada visitane assume o passeio por sua própria conta e risco. O governo do estado do Acre informa estar em fase de captação de recursos da ordem de R$ 2,8 milhões de reais para organizar e infraestrutra turística do Parque no lado brasileiro.

 

 

 

 

About The Author

Xapuri

Related Posts

Deixe uma resposta