Celebro o Dia do Professor deste ano de 2017 parabenizando a cada educador e a cada educadora de Goiás e do Brasil por sua capacidade de luta e resistência ante os tempos turbulentos que enfrentamos nesse momento difícil da nossa história.

Penso com preocupação e me solidarizo com os professores e professoras que são agredidos enquanto cumprem a sua sagrada missão de educar nossas crianças e jovens para que se tornem cidadãos e cidadãs conscientes e responsáveis aqui em nosso estado e país afora.

Há poucos meses, mais precisamente no dia 9 de junho, por conta de uma lista de presença, a professora Pamora Mariz Cordeiro foi agredida por uma aluna da Disciplina de Direito Administrativo, no Campus 5 da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), em Goiânia.

Também em nossas escolas da Rede Estadual de Educação as coisas não são diferentes e não vêm de agora. Uma pesquisa do Departamento de Psicologia da própria PUC-Goiás sobre violência nas escolas goianas, realizada com 100 professores e professoras nas regiões Medanha, Central, Leste e Vale do Meia Ponte, publicada no jornal O Popular de 03/06/2012, registrou dados alarmantes.

Dos 100 profissionais que responderam à pesquisa, 61 já haviam sofrido algum tipo de violência na escola. Dentro desse universo, 56 (92%) informaram ter sofrido algum tipo de violência verbal, sendo que sete educadores (12%) alegaram ter sofrido violência verbal e física.

Nos dois casos, a razões para a agressão ao professor vão da repressão ao aluno (57%) a nenhuma razão, ou razão desconhecida (53%). Pior, a pesquisa constatou também que a violência nem sempre vem somente do aluno. Os professores pesquisados reportaram que cerca de 12% das agressões vêm também dos pais ou responsáveis.

Os números da violência coincidem com a média brasileira. Dados de uma pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) em 34 países em 2014 mostram que, no Brasil, cerca de 10% dos educadores informaram que sofrem agressões verbais ou intimidações de alunos pelo menos uma vez por semana, enquanto que nos demais países a média é de 3,4%.

O lado bonito dessa história é que, dentre os educadores agredidos em sala de aula ou nas dependências das escolas, mais da metade disse não ter a menor intenção de abandonar a profissão de professor por causa da violência sofrida. Ao contrário, a maioria expressou a vontade de engajar a comunidade escolar em ações voltadas para a construção de uma cultura de paz.

DESVALORIZAÇÃO, DESPRESTÍGIO, DESESTÍMULO

Infelizmente, os professores brasileiros não somente trabalham em total falta de segurança, como são muito mal remunerados. Dados da  OCDE, de 2016, mostram que no Brasil os educadores do ensino fundamental e médio recebem menos da metade do que a média dos profissionais da educação dos 35 países membros da OCDE.

Os baixos salários, a falta de reconhecimento social da profissão, as péssimas condições de trabalho e o cansaço estão, segundo o Ministério da Educação (MEC) entre as principais razões principais porque,  a cada dia, a juventude brasileira se interesse menos pelo magistério. De acordo com especialistas do próprio MEC, o número de formandos em cursos de licenciatura de disciplinas da educação básica vem caindo – 16% entre 2010 e 2012.

Tendo em vista que, nos próximos seis anos, caso a sociedade brasileira consiga barrar a Reforma da Previdência, cerca de 40% dos professores do ensino médio terão condições de se aposentar, a falta de professores será notada e sentida como uma crise de proporções inimagináveis em uma questão de curtíssimo tempo.

Em Goiás, a situação se agrava ante a insegurança gerada pela insistência do governo Marconi Perillo em militarizar as escolas e terceirizar a educação, por meio da contratação de Organizações Sociais (OS) para gerir a educação.

LUTA, RESISTÊNCIA, ESPERANÇA

Desde dezembro de 2014, o Sintego, junto com o Ministério Público, universidades, escolas e estudantes, vem lutando para impedir que o estado precarize os rendimentos, acabe com a estabilidade e afaste mais profissionais do campo da educação.

O Sintego luta, ainda, por uma melhor remuneração, por planos de carreira, pelo Piso, pela Data Base, por melhores condições de trabalho e, tão importante quanto, para mudar a percepção social sobre a importância da profissão de professor, para que mais jovens voltem às fileiras do magistério para educar as gerações presentes e futuras.

Em maio de 2017, um árduo processo de negociação liderado pelo Sintego encerrou uma greve de 41 dias com vitórias concretas para os professores e professoras: os 34% de reajuste para os contratos temporários; a progressão para 444 Professores; o Concurso Público para 900 professores PIII e 100 administradores; a Gratificação por Dedicação em Período Integral (GDPI) para coordenadores, professores e diretores de escolas em período integral.

Conseguimos, também, conquistas para os demais profissionais da Educação: os 21% para os administrativos, que há três anos estavam sem nada; 20% de aumento de recursos para a merenda escolar; 58% de aumento para o Pró-Escola (programa de custeios de reformas e reparos emergenciais das unidades de ensino; e, Auxílio-Alimentação de R$ 500,00 para todos os profissionais da ativa, uma conquista adicional.

Essas vitórias são resultado da nossa luta, da nossa resistência e da nossa esperança coletiva. E é com um enorme sentimento de gratidão que desejo a cada um e cada de vocês, educadores e educadores desse nosso Goiás, um Feliz Dia do Professor, um Feliz Dia da Professora!

Bia de Lima
Educadora. Presidenta do Sintego.

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