É extremamente difícil viver de arte no Brasil, assim como viver da carreira de professor e professora também se tornou complicado ao longo dos anos. Pouca ou nenhuma valorização profissional, espaços de trabalho cada vez mais precários, falta de oportunidade de crescimento e de ascensão profissional são fatores que tornam a vida de professores e professoras tão difícil quanto a de artistas que lutam por um palco para mostrar a sua arte e sobreviver daquilo em que acreditam e que produzem.

São profissões diferentes, mas que se relacionam a todo instante. Ser professor, ser professora, é dominar a arte de ensinar, de aprender, de transmitir o conhecimento que lhe foi dado, na troca mais digna que existe – a transmissão do saber.

Ser artista é buscar no palco da vida, ou nas ruas lotadas de espectadores e espectadoras, a atenção para a arte individual, o aplauso coletivo, a sobrevivência por meio do reconhecimento do seu público. Não é fácil e, embora sejam sinas difíceis de carregar, são fardos que acompanham as duas profissões.

O professor, a professora, tem que aprender com as diferenças, e ao mesmo tempo mediar a diferença alheia, tem que compreender que nem todos têm as mesmas condições para, a partir daí, redobrar os esforços em busca mesmas oportunidades para todos e para todas.

Em um país onde o poder público custa a entender o papel e a importância da carreira do magistério, o Estado nos obriga a carregar sozinhos/as o fardo de investir em uma profissão que aos olhos do mundo é a mais importante que existe, mas aos olhos do governo brasileiro não é digna de valorização.

Professores e professoras carregam a responsabilidade de levar o conhecimento aos quatro cantos, ainda que nas mais longínquas distâncias, onde se percorrem estradas quase sem nenhuma estrutura.

Os professores e professoras tiveram que adaptar o modo de ensinar à nova realidade do país, em um Brasil cada vez mais conectado e com uma geração mais crítica. Os educadores e educadoras precisam diversificar e planejar suas aulas de forma diferente, de modo a estimular cada vez mais estudantes a desenvolver e analisar criticamente o mundo.

A internet, que antes era uma aliada no planejamento e na transmissão do conhecimento, hoje atropela etapas e faz com que estudantes busquem na agilidade das informações da grande rede as respostas para aquilo que deveria ser ensinado em sala de aula.

Em um país onde o currículo,  e o que deve ser ensinado em sala de aula, é determinado para manutenção dos poderes, onde as avalições caminham para dificultar ainda mais a vida dos professores e estudantes, onde universidades que oferecem cursos de licenciaturas beiram o abandono de investimentos e demanda por alunos, onde não se avizinha um plano de carreira atraente e meritocrático e, principalmente, o papel do professor e da professora não é reconhecido com a importância que deveria.

Em direção oposta, países que investiram massivamente em educação, na formação de educadores, na valorização da carreira e em currículos programados e construídos a partir da colaboração dos envolvidos no processo de ensino aprendizagem, deram um salto nos índices de educação.

A fórmula é conhecida por todos: os ingredientes para que seja construído um novo modelo de educação, que passe pela valorização dos professores e professoras, e por oferecer ensino público de qualidade, está à disposição do poder público, basta apenas acreditar que ser professor é uma obra de arte.

Uma arte que deve ser admirada, respeitada, valorizada. Então, pensemos: Ser Professor, ser Professora de verdade é viver de arte!

Iêda Leal
Professora da Rede Pública de Ensino, Secretária de combate ao racismo da CNTE, Coordenadora do C. R. Lélia Gonzales, Tesoureira do Sintego e Vice-presidente da CUT – GO

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