Governo de Goiás quer acabar com a carreira dos/as professores/as!

Por Bia de Lima

Direitos garantidos por lei seguem sem pagamento, e Governo propõe o achatamento da carreira

Profissionais da Rede Estadual de Educação de Goiás, independente do vínculo, tanto professores/as como administrativos/as, sejam efetivos/as ou contratos temporários, aposentados/as, todos/as, sem exceção, têm sofrido com a atual administração do Estado, que não respeita a categoria.

O SINTEGO, em sua luta incansável, tem recorrido a todas as instâncias e possibilidades, como o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) e Ministério Público Federal (MPF), para que os órgãos cobrem medidas a respeito do cumprimento de Leis Federais, como a Lei do Piso Salarial, já que estamos no mês de outubro e até o momento não houve o pagamento do reajuste, que deveria ter sido pago em janeiro, bem como a Data-Base, que deveria ter sido paga em maio.

Entre os absurdos cometidos pelo governo Caiado, no mês passado, foi aprovada na Assembleia Legislativa de Goiás a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 990/19, que altera a aplicação dos recursos da Educação no Estado. A PEC reduz a vinculação da Educação de 27% para 25%, incluindo os 2% da Universidade Estadual de Goiás (UEG) nos 25% da Educação Básica, diminuindo a vinculação orçamentária constitucional.

Não resta dúvida que a UEG é uma instituição importantíssima para o Estado; no entanto, ela precisa de recursos próprios e suficientes, que não interfiram nos recursos da Educação Básica, da forma como foi feito. Consideramos um grande prejuízo para Goiás a maneira como fez o governo, não a UEG, os/as trabalhadores/as que lá estão, assim como não respeita o pagamento do Piso, da Data-Base e das progressões, benefício que mais de mil trabalhadores/as aguardam para conseguir a tão sonhada aposentadoria. Isso é maldade!

A única proposta feita pelo governador Ronaldo Caiado foi a de pagar o reajuste Piso Salarial somente àqueles que ainda recebem valores abaixo dele – R$ 2.557,74, sem reajuste para os/as demais profissionais, achatando a carreira e sem progressão de nível. Uma falta de respeito, além da falta de incentivo e estímulo para a formação e qualificação dos/as professores/as, clara demonstração de desvalorização da Educação!

A administração estadual, amparada por todos os poderes do Estado, insiste em dizer que não tem condições de pagar o que é direito dos/as profissionais da Educação. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o efeito da Emenda Constitucional 54, que cria o teto de gastos em Goiás. Com isso, o impeditivo legal para que a categoria da Educação não receba as progressões foi derrubado, tornando a decisão exclusiva do Estado.

A argumentação do Governo com os/as profissionais da Educação nesse aspecto é cruel, já que é de conhecimento de todos/as que os recursos da Educação não são aplicados da forma que deveriam, sendo desviados para outras demandas. Administrações anteriores tiveram as contas rejeitadas pois não aplicaram corretamente os recursos da Educação Básica, só em 2018 foram R$ 900 milhões específicos para a pasta que deixaram de ser investidos.

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Mais do que nunca, a Educação Básica de Goiás precisa que os recursos vinculados para a mesma sejam destinados para a pasta devida, para que seja possível a distribuição da verba por quem conhece e vivencia a Educação, de forma justa, a valorizar o/a profissional que se dedica à causa. Os/as profissionais da Educação não merecem esse massacre! Não ficaremos calados/as diante da truculência do atual governo!

A Educação de Goiás pede SOCORRO! Vamos à Luta!

Bia de Lima – Educadora. Presidenta do Sintego.

 

 

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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