Suécia fecha prisões, Brasil fecha escolas –

No caminho de casa, quase chegando, passo na frente de uma escola, que agora está fechada.

Antes passava e tinha todo aquele movimento de entrada e saída de alunos. Mas, depois de algum tempo, a escola fechou, e fui vendo, a cada dia, a escola ficar suja, com aspecto de abandonada.

Vieram as pichações, e aos poucos fui vendo que as janelas estavam sumindo, uma a uma, desaparecendo da fachada, deixando tudo exposto. Aí deu pra notar que as divisórias que separavam as salas também estavam sendo levadas. Costumava pensar que era uma representação do que estava sendo feito com a educação no Brasil, sendo desmontada!

Dava tanta tristeza, pai, que passei a não mais olhar quando passava em frente. Desviava o olhar pra não ver.

Depois de um tempo, um dia, dei uma espiada, e vi que tinha alguma coisa escrita na fachada, mas não consegui ler direito, fiquei na curiosidade de saber o que era, mas já tinha passado.

No dia seguinte passei mais devagar e consegui ver, bem grande, o que tinham escrito: “SUÉCIA FECHA PRISÕES – BRASIL FECHA ESCOLAS”.

Encostei o carro e saí. Fiz questão de tirar uma foto. Uma foto de uma luta, de que captei aquele momento exato de um soco bem no fígado!

Aquela frase mostra como uma coisa tá ligada à outra, diretamente.

A Suécia investiu em escolas e está fechando prisões por falta de presos, e o Brasil fechando escolas, e tendo que construir mais presídios.

Sem educação, tem mais violência, né?!

Mais violência faz com que as pessoas tenham mais medo e percam a esperança, e isso não pode acontecer!

Seu filho ainda tem esperança de que vamos vencer o medo, pai!

 

Um beijo, Ivan.

 

Ivan Cosenza

Produtor cultural. Presidente do Instituto Henfil. Filho e curador da obra de Henfil. Carta publicada no Blog “As Cartas do Pai.”

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