Assassino do pequeno Vitor Kaingang é condenado a 19 anos de prisão em regime fechado

Matheus Ávila Silveira foi condenado a 19 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do pequeno Vitor Kaingang, de apenas dois anos, em 30 de dezembro de 2015, na rodoviária do município de Imbituba (SC). A criança amamentava no colo da mãe, que vendia artesanatos ao lado do marido, quando Silveira se aproximou e degolou Vitor com um estilete. O Júri acatou integralmente as teses do Ministério Público (MP).

O promotor de Justiça Cláucio José Souza Alberton defendeu que o homicídio qualificado ocorreu por motivo torpe, com impossibilidade de defesa, crime contra menor de 14 anos e pelo fato da vítima ser indígena aumento de ⅓ da pena, conforme o Estatuto do Índio. O Júri ocorreu nesta terça-feira, 14 de fevereiro, na Câmara de Vereadores de Imbituba e foi acompanhado pelos pais de Vitor, Sônia Silva e Arcelino Pinto (na foto acima).

Sônia e Arcelino choraram durante vários momentos do julgamento, que teve a sentença lida pela juíza Taynara Goessel perto das 19 horas. Sônia carregava a camisa do pequeno Vitor, informando aos presentes que se tratava de um símbolo da resistência indígena. “Era isso que o povo Kaingang esperava”, declarou Sônia ao término do julgamento para o jornal Diário Catarinense.

Desde o crime, Silveira estava preso em um hospital psiquiátrico de Florianópolis. A defesa do assassino justificou, durante a parte da manhã, que o então acusado possui doença mental – era perturbado por vozes que diziam que ele deveria matar alguém. Por orientação da defesa, que pleiteou ainda tratamento psiquiátrico e redução de pena para o criminoso, Silveira pediu perdão aos pais de Vitor.  

Um laudo foi apresentado pela defesa onde o assassino é considerado semi-imputável por conta do vício em drogas consideradas pesadas – não por conta de distúrbios mentais. Com o plenário lotado – o caso teve repercussão internacional –  a juíza, ao ler a sentença, determinou ainda que Silveira cumpra a pena em presídio comum. A defesa afirmou à imprensa que irá recorrer.

Na ocasião do assassinato, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) – Regional Sul divulgou uma nota defendendo se tratar de “um crime brutal, ato covarde, praticado contra uma criança indefesa, que denota a desumanidade e o ódio contra outro ser humano”. Para sobreviver, indígenas costumam vender artesanatos nas cidades do entorno das aldeias. Atos de violência e racismo contra eles não são incomuns.

ANOTE AÍ:

Esta matéria, assinada por Por Roberto Liebgott – Cimi Regional Sul, de Imbituba (SC), e Renato Santana, da Assessoria de Comunicação – Cimi foi originalmente publicada no site do Cimi em 15/03/17.

+ Info  Assessoria de Comunicação – Cimi

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