Leitura importante para entender o Brasil e pensar estratégias para superar o horror que o país virou.

Por Valéria Brandini, via Facebook de  Adriana Motta

“É o povo que está elegendo o fascismo. Se não fosse esse militarzinho bunda suja, seria outro. Pesquiso o brasileiro há 25 anos. Já fiz pesquisas presenciais de norte a sul do País e atesto que o brasileiro médio ‘é isso aí’.

Quando a tendência da diversidade chegou, ela veio ‘de fora para dentro’, é uma tendência mundial, pegou a parte mais desenvolvida da sociedade, que não deve chegar a 5% – não falo de nível econômico, falo de nível cultural – e pegou o pink money da comunidade LGBTQ. Mas quem estuda tendências socioculturais sabe que uma coisa é a tendência que vem de fora, e outra coisa é sua assimilação de acordo com os valores e tendências emergentes de um grupo, ou povo.

Pois bem, há uns 7 anos entrevistei grupos de jovens homens que diziam que ‘não dá pra namorar hoje em dia porque só tem puta’, e grupos de jovens mulheres que ‘queriam casar virgem, porque a mulherada hoje não se respeita’, que acham que ‘não dá pra trabalhar e ser mãe e esposa ao mesmo tempo’. Isso é o brasileiro médio – homens e mulheres machistas, racistas e homofóbicos.

Entrevistei adolescentes que diziam ter medo de ir em baladas, pois ‘os caras não aceitam quando você não quer ficar com eles e te agridem’. Entrevistei jovens homossexuais de periferia que disseram que ‘tirando os Jardins (SP), ser gay na periferia é correr ameaça de espancamento e morte todo dia’.

O brasileiro médio nunca foi ‘bonzinho’, como dizia Kate Lyra nos quadros de humor dos anos 80. O brasileiro médio ‘odeia viado’, odeia pobre — mesmo quando é pobre — não odeia a pobreza, odeia o pobre, divide as mulheres entre as putas e as mulheres pra casar, é racista e de um ‘racismo cordial’ nojento, pois diz que tem amigo negro, mas não se importa que a polícia mate jovens negros inocentes.

As mulheres são AS grandes machistas, pois o machismo feminino é o que forma homens e mulheres machistas na socialização primária das crianças e elas NAO QUEREM se libertar dos padrões coercitivos do machismo, elas querem manter esses padrões, pois acreditam que nele elas tem privilégios (mesmo tomando porrada de machista e com um índice altíssimo de feminicídio — vivem uma eterna síndrome de Estocolmo) — já no feminismo, teriam que ser responsáveis por suas próprias vidas, teriam que ter autonomia existencial e isso é novo e assustador.

A candidatura de B17 rompeu o lacre do reacionarismo e o protofascismo que orienta o ethos do brasileiro médio, mas que com a tendência mundial de apoio à diversidade, ficava reprimida. Democracia é isso, senhoras e senhores e infelizmente o povo brasileiro ‘é isso’.

Nós aqui que achamos uma abominação o machismo, homofobia e racismo do PSL, nós que lutamos contra Bolsonaro e sua ideologia de extrema-direita, sua apologia à tortura, seu desmerecimento às mulheres, seu ódio aos LGBTQ e sua depreciação dos negros, somos a minoria numa elite cultural que não representa o brasileiro médio — e não digo isso com orgulho, mas com pesar —, pois somos o que o brasileiro médio não quer.

Então, se você, como eu, acredita nos valores da diversidade, na busca por equinanimidade para os excluídos, como base da cidadania, busque inspirar e influenciar os valores da igualdade por onde passar.

Use o conhecimento como ferramenta para desconstruir mitos discriminatórios, use o conhecimento como forma de mostrar a realidade do Outro para aqueles fechados em suas bolhas, pois a empatia é o caminho para que estas pessoas entendam que você precisa lutar por quem não tem condições de lutar por si na sociedade.

Não fique apenas na tentativa de convencimento de voto. O trabalho para inspirar é trabalho de uma vida inteira, não de uma eleição — e só ele causa mudanças profundas. Não tente ‘convencer’, mostre o conhecimento, desconstrua os preconceitos pelo conhecimento e deixe que escolham o caminho a seguir. Se 1 em 10 pessoas se inspirar, você venceu.

E aprenda a mandar à merda quem precisa ser mandado à merda, sem medo de que não gostem de você, pois nada é mais precioso do que a integridade, e integridade é ser inteiro no que você acredita.”

Valeria Brandini é antropóloga Graduada pela UNICAMP, Especialista em MULTIMEIOS (Comunicação e Interdisciplinaridade) pela UNICAMP, Mestre em Publicidade e Propaganda pela ECA – USP, Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA – USP em Convênio com UNIVERSITÁ LA SAPIENZA (Roma) e CENTRAL SAINT MARTIN’S SCHOOL OF FASHION (Londres) e Pós Doutoranda em Antropologia Empresarial pela UNICAMP.

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2 Responses

  1. Seucu

    Que bosta de texto. Pare de fumar maconha. Essa merda te deixa fora da realidade. Vai lavar uma louça que melhor e mais produtivo.

    Responder

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