Por Ailton Krenak

De que lugar se projetam os paraquedas? Do lugar onde são possíveis as visões e o sonho. Um outro lugar que a gente pode habitar além dessa terra dura: o lugar do sonho.

Não o sonho comumente referenciado quando se está cochilando ou que a gente banaliza, “estou sonhando com o meu próximo emprego, com o meu próximo carro”, mas que é uma experiência transcendente na qual o casulo do humano implode, se abrindo para outras visões da vida não limitada.

Talvez seja outra palavra para o que costumamos chamar de natureza. Não é nomeada porque só conseguimos nomear o que experimentamos. O sonho como experiência de pessoas iniciadas numa tradição para sonhar.

Assim como quem vai para uma escola aprender uma prática, um conteúdo, uma meditação, uma dança, pode iniciar nessa instituição para seguir, avançar num lugar do sonho.

Alguns xamãs ou mágicos habitam esses lugares ou têm passagem por eles. São lugares com conexão com o mundo que partilhamos; não é um mundo paralelo, mas que tem uma conexão diferente.

Ailton Krenak – Escritor. Em “Ideias para adiar o fim do mundo”.  Companhia das Letras, 2019.

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