UBUNTU: Eu sou porque nós somos –

“Tudo isso me tomou todo e me fez perceber que eu era mais  africano do que eu pensava”. O encantamento e identificação de Paulo Freire com as belezas naturais e a cultura da Tanzânia, na década de 1970, demonstram a proximidade das raízes brasileiras com o continente considerado berço da humanidade e das civilizações.

Sem saber, Freire vivenciava, na prática, a filosofia africana UBUNTU, que na língua bantu significa “eu sou porque nós somos.” Trata-se do jeito de viver e conceber as relações humanas que pensa a comunidade em seu sentido mais pleno, como uma grande família. E é nesse sentido, nesse espírito de coletividade, no qual se vivenciam os princípios de partilha, do cuidado mútuo, e da solidariedade, que a África dá mais uma lição e nos ensina sobre a cosmovisão do mundo negro-africano.

Seríamos, assim, uma teia de relacionamentos, que proporciona ao indivíduo reconhecer-se no outro, a partir da mudança de olhar do “eu” para o “nós”. Ou seja, não estamos soltos no mundo e precisamos da interação para nos realizarmos como grupo. “A educação deve partir, sempre, da coletividade. E o racismo será vencido porque nós estamos no coletivo fazendo este trabalho, CNTE, movimento negro, escola e sociedade”, lembra Iêda Leal, secretária de Combate  ao Racismo da CNTE.

Reinterpretando, ao longo da história, o UBUNTU é ainda mais atual, ao inspirar a luta por uma sociedade democrática, igualitária e com amplo acesso às oportunidades para a vida com dignidade. Juntos, seremos mais fortes para o enfrentamento dos desafios e a superação das inúmeras formas de discriminação e desigualdade.

Fonte: Jornal Mural da CNTE –  Novembro, 2017.

Anúncios

Comentários

X
preloader