O tratamento das doenças no Arraial de Couros

Houve um tempo longo na história do Planalto Central brasileiro e, portanto, da região do Arraial dos Couros, em que os médicos não chegavam. O jeito, então, era tratar as doenças com o que se tinha à mão: as rezas e os remédios caseiros. Quem nos conta um pouco dessa história é o escritor formosense Alfredo A. Saad, falecido em 2011, em sua obra póstuma “Álbum de Formosa”, publicado pela família em 2013: “Como os médicos chegaram a Formosa somente ao final do século XIX, o tratamento das doenças, em Couros, era feito à maneira popular, à custa de rezas e benzeções, por curandeiros. A administração dos remédios, provenientes da farmacopeia popular, preparados com ervas das matas e do Cerrado, era feita por conta do doente, ou de sua família (…)

Como preventivo contra as doenças, em geral, era comum que as pessoas – principalmente as mulheres – pendurassem ao pescoço trouxinhas (patuás), contendo amuletos especiais, às vezes simples pedaços de papel nos quais grafavam-se orações. Aqueles mais ricos, possuíam escapulários pendentes ao pescoço, contendo fragmentos de ossos de santos milagrosos, por exemplo.

Os homens, para não trazer aqueles saquitéis à mostra, guardavam-nos no bolso – mas não os dispensavam, nunca. Muitos habitantes de Couros que mostravam no rosto os sinais da varíola ostentavam esses bentinhos que, supostamente, os protegeram da morte, apesar de não terem evitado a doença (…)
Os cobreiros eram tratados por benzedeiras, que se utilizavam de orações especiais. Evidentemente, os fatos psicológicos intervenientes nas dermatites de contato contribuíam para que as benzedeiras tivessem alta porcentagem de cura (…)

Um procedimento comum, para os casos de cobreiros, era a benzedeira juntar nove talos da folha de mamona, amarrá-los em feixe e, com a faca na mão, pronunciar as palavras mágicas que seriam respondidas pelos familiares dos doentes, enquanto cortava perpendicularmente o feixe de pedúnculos. Nove vezes ela perguntava: “O que corta?” para a família responder: “cobreiro bravo”. Após cada pergunta, nove vezes, a benzedeira cortava o feixe de pedúnculos.

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