Frigideira de Maturi

Frigideira de Maturi 

Maturi é a castanha-de-caju tirada verde. Porque a castanha tem um óleo que queima, só quem sabe abrir castanha pode fazer esse trabalho sem sofrer queimaduras. Hoje já se encontram saquinhos de  maturis catados. Vendem-se aos litros, já aferventados. Só é preciso lavar bem, tirando algum pedaço de casca que ficou presa ao maturi. É muito saboroso. Serve para ser misturado a vários pratos, como se misturam as ervilhas. Do maturi, o melhor é a frigideira.

Receita de Dona Canô

INGREDIENTES

Cebola

Tomate

Pimentão

Coentro

1 litro de maturi

1 xícara de leite de coco

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2 colheres de sopa de camarão seco moído

Azeite doce

Extrato de tomate

8 ovos

1 colher de farinha de trigo

PREPARO

Colocar no processador cebola, tomate, pimentão e coentro. Bater bem. Colocar o maturi e bater ligeiramente. Numa panela, colocar o leite de coco, o camarão, o maturi, já misturados com os outros temperos, o azeite doce e o extrato de tomate. Deixar cozinhar até ficar sem caldo. Bater dois ovos e misturar ao maturi para dar liga na mistura. Num prato refratário untado com óleo e polvilhado com farinha de trigo,  jogar o maturi cozido. Cobrir com ovos bem batidos e misturados com uma colher de sopa de farinha de trigo e um pouco de sal. Para uma frigideira de um litro de maturi, são necessários seis ovos para a cobertura. Levar ao forno quente. Quando a frigideira está pronta, os ovos da cobertura ficam assados como um bolo, e o cheiro se espalha pela cozinha.

Fonte: O Sal é um Dom – Receitas de Dona Canô. Mabel Veloso. Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2015.


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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