Ambrosia: o manjar dos deuses do Olimpo – O doce, feito com ovos, leite e açúcar, e perfumado com canela, raspas de limão ou baunilha, chegou ao Brasil com os portugueses, no século 16.

Por Lúcia Resende

Conta a história que na Antiguidade só os deuses do Olimpo podiam se deliciar com o sabor da Ambrosia, cujo nome deriva de raiz grega que significa “imortal”. Aos mortais, só era permitido experimentar o divinal sabor com a permissão dos deuses.

A receita da Ambrosia pode ter pequenas variações e tem sido repassada de geração a geração, ficando restrita a alguns membros das famílias. Isso certamente se deve ao fato de ser um doce de “ciência” e “paciência”, como diziam os antigos.

Pois bem, na minha família, coube a mim guardar a receita, e repeti-la inúmeras vezes, sempre do jeito ensinado por Odete Vilas Boas da Silva, minha mãe, mulher da roça, mas “fina”, amante das letras, poeta, freireana sem o saber, nascida e criada na Fazenda Aldeia dos Índios, no Triângulo Mineiro, às margens do Rio Grande.

Contava ela que aprendera a iguaria com uma senhora de nome Conceição, que tinha como ofício fazer o enxoval – inclusive o vestido de noiva, as calçolas, os espartilhos – das donzelas de meados do século 20, ali perto, em Frutal.

Às vésperas do casório, a noiva se hospedava por um tempo na casa da dona Conceição e, enquanto o vestido e o enxoval eram produzidos, também era possível aprender prendas domésticas. Com ela, em 1953/54, mamãe aprendeu bordados, corte e costura Toute Mode e, claro, a ambrosia ou simplesmente o doce de ovos, que era sua especialidade.

Faço aqui o registro, pra que não se perca, enquanto procuro na nova geração alguém que queira a “herança”…

Ingredientes

1 ½ dúzia de ovos

2 litros de leite

SEGUE DEPOIS DO ANÚNCIO

2 ½ copos duplos de açúcar

Canela em pó (ou baunilha ou raspas de limão)

Modo de fazer

Em uma panela (não pode ser tacho de cobre), coloque o leite frio e o açúcar. Em outra vasilha, bata bem os ovos, gemas e claras. Depois, coe, em uma peneira fina, os ovos batidos sobre o leite. Misture muito bem, ainda frio. Em seguida, leve ao fogo, mexendo só o fundo da panela (esta é a “ciência”), para não desmanchar os talhos que se formarão no momento da fervura. Importante mexer lentamente e com extremo cuidado (“paciência”), até que o leite fique todo talhado e abra fervura. A partir daí, mexer de vez em quando, com cuidado pra não grudar no fundo da panela, até o doce ir apurando (reduz mais ou menos a metade). Quando os talhos ficarem bem separados da calda, o doce estará pronto. Aí, é só colocar em uma compoteira, deixar esfriar e servir.

Obs.: se preferir, pode usar raspas de limão ou baunilha, em lugar da canela, ou mesmo em conjunto com ela. Em casa, usamos só a canela.


Salve! Pra você que chegou até aqui, nossa gratidão! Agradecemos especialmente porque sua parceria fortalece  este nosso veículo de comunicação independente, dedicado a garantir um espaço de Resistência pra quem não tem  vez nem voz neste nosso injusto mundo de diferenças e desigualdades. Você pode apoiar nosso trabalho comprando um produto na nossa Loja Xapuri  ou fazendo uma doação de qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Contamos com você! P.S. Segue nosso WhatsApp: 61 9 99611193, caso você queira falar conosco a qualquer hora, a qualquer dia. GRATIDÃO!


Réquiem para o Cerrado – O Simbólico e o Real na Terra das Plantas Tortas

Uma linda e singela história do Cerrado. Em comovente narrativa, o professor Altair Sales nos leva à vida simples e feliz  no “jardim das plantas tortas” de um pacato  povoado  cerratense, interrompida pela devastação do Cerrado nesses tempos cruéis que nos toca viver nos dias de hoje. 

COMPRE AQUI

SEGUE DEPOIS DO ANÚNCIO