Por: Rachel de Queiroz

O aluá é uma bebida sertaneja, que eu imaginava de origem indígena, mas aprendi no Aurélio ser originária da África. Aliás, bastava pensar um pouco e não sair para conclusões xenófobas, pois o aluá leva especiarias que, evidentemente, os índios não conheciam.

Antes que aparecessem os refrigerantes, o aluá era bebida indispensável em todas as festas do sertão (além da cachaça, é claro). Mas no NÃO ME DEIXES, o aluá continua a ser feito, em ocasiões festivas ou não.

Enche-se com água, de preferência água de chuva, um grande pote de barro. Nessa água põe-se de um a dois quilos de milho em grão torrado (não muito torrado, apenas tostado) e algumas rapaduras em pedaços.

Quando a rapadura estiver desmanchada, põe-se então os temperos: cravo, canela, erva-doce e gengibre. De vez em quando dá-se uma mexida com colher de pau, para derreter de vez a rapadura e incorporar os temperos ao líquido.

No dia seguinte, com o milho já fragmentado, o aluá ainda está meio sem graça, mas já com o seu gosto característico. No terceiro dia de fermentação ele estará picante e ligeiramente alcoólico.
Vai-se, então, tirando do pote a quantidade a ser servida, côa-se em pano novo e bem lavado, tudo sempre com muito cuidado, pois senão o aluá corre o perigo de “babar”, isto é, engrossar, perder a consistência puramente líquida e ficar meloso como uma calda, e aí não presta mais.

Se isso não acontecer, o aluá estará perfeito, e quanto mais tempo ficar no pote (um ou dois dias), maior teor alcoólico ele vai adquirir. Não preciso dizer que nesse ponto é que o aluá é mais apreciado. (Há também quem use pão dormido ou arroz para obter a fermentação. Quanto a mim e a todos lá de casa, sempre preferimos a aluá de milho).

Rachel de Queiroz, em “O Não me Deixes” – livro da escritora sobre os usos e costumes na fazenda de sua  família no Ceará.

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