Os primeiros habitantes da terra do Pau Brasil já tinham o hábito de comer a pa’soca (em tupi). Carregada no embornal, garantia o sustento dos que se embrenhavam na mata para caçar, ou serviam de refeição para mulheres, homens e curumins ali mesmo, na taba.

Com a chegada dos portugueses, e depois dos africanos, a farinha de mandioca socada no pilão com carne-seca ganhou outros temperos, virou paçoca, e passou a sustentar escravos na exaustão do eito, viajantes na Estrada Real, boiadeiros do Sertão da Farinha Seca, bandeirantes e garimpeiros e, já no século XX, virou a “matula” que os migrantes nordestinos carregavam no sacolejo dos caminhões pau-de-arara pelas estradas que levavam rumo ao Sul, em especial rumo a São Paulo, então uma espécie de Terra Prometida. Em cestos, baús, latas e embornais, a paçoca de carne-seca, alimento de fácil conservação, foi trilhando novos caminhos e se incorporando à alimentação de brasileiros e brasileiras por todo o país.

Os tempos mudaram. Aqueles que se embrenhavam na mata sem fim convivem agora com as clareiras abertas pela ganância de quem explora ou pela premência do progresso.   Ou lutam como podem para preservar suas terras e, nelas, a floresta que lhes serve de sustento e abrigo.

O gado agora viaja em caminhões-gaiola; o garimpo está a cargo das grandes mineradoras, que vão deixando mais destruição pelo caminho; aquele caminhão virou objeto de recordação, porque o Nordeste não mais empurra os seus para o Sul.

A história e a geografia são outras, mas a paçoca de carne-seca permanece. Em muitos lugares, a mão-de-pilão ainda sobe e desce, num ritmo cadenciado, no preparo dessa delícia que, de tão boa, é feita até onde o pilão nem existe ou virou peça de decoração. Nesses lugares, o processador, ou mesmo o liquidificador, cumpre a tarefa. Que tal entrar na onda e fabricar a sua paçoca? A gente ensina a receita.

Ingredientes

  • 1 kg de carne-seca cortada em pedaços
  • ½ xícara (chá) de manteiga ou óleo
  • 2 cebolas grandes cortadas em pedaços
  • 3 xícaras (chá) – ou um pouco mais – de farinha de mandioca (ou milho)
  • Sal e pimenta a gosto.
  • Cheiro-verde a gosto.

Modo de preparo

Limpe a carne, retirando a pele e a gordura em excesso; coloque em uma vasilha e cubra com água, para dessalgar. Troque a água algumas vezes. Depois, escorra bem a água e reserve. Numa panela, coloque a manteiga (ou o óleo), acrescente a carne e deixe fritar um pouco. Junte a cebola e frite bem, até tudo ficar dourado e quase seco. Deixe esfriar, coloque no pilão, vá socando e acrescentando farinha aos poucos, até a carne ficar desfiada. Se não for possível socar no pilão, pode ser usado o processador, ou mesmo o liquidificador. Aí, é só corrigir o tempero, jogar o cheiro-verde e a pimenta e saborear!

About The Author

Lúcia Resende

Mestra em Educação
Relações Públicas da ADFFOR (Associação das Pessoas com Deficiência de Formosa – Goiás)

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