A 14 de dezembro de 2016, um cardeal franciscano fez a passagem com a cruz de Jesus apertada em sua mão! Um catarinense paulistano e corinthiano partiu partiu deixando uma história corajosa em defesa da democracia e dos mais pobres!

Um arcebispo de São Paulo que, ao assumir o posto, em uma de suas primeiras providências, vendeu o palácio da arquidiocese para investir em creches e em outras obras sociais!

Uma autoridade religiosa que teve coragem de tirar satisfação com o presidente Médici, no tempo da ditadura, contra as torturas e mortes em órgãos governamentais de repressão!

Um religioso que tinha na família um irmã, Zilda Arns, criadora da Pastoral da Criança, morta em uma ação humanitária durante o devastador terremoto do Haiti!

É triste ver mais um personagem digno da história do Brasil partir e nos deixar uma enorme responsabilidade, se tivermos a sua coragem, determinação e altruísmo como referência!

Mas é muito justo que após 95 anos esse homem descanse!

E é muito interessante que seja exatamente nesse momento em que seguimos sendo desafiados a encontrar inspiração, nessa conjuntura assustadora, pra lutarmos por um novo Brasil mais justo, econômica e politicamente mais democrático, mais solidário e ético, e menos reacionário!

Lutamos por um país que pode ser vanguarda transformadora no mundo, em relação à política, à sustentabilidade socioambiental, à espiritualidade pacífica e ecumênica, à nossa inter e multicultura criativa e alegre, tudo isso em busca do que esse homem pregava: a paz!

Valeu, Dom Paulo Evaristo Arns!

DOM PAULO EVARISTO ARNS 

14-9-1921, Forquilhinha, Criciúma (SC) – 14-12- 2016, São Paulo (SP)

Vinte e oito anos à frente da segunda maior comunidade católica do mundo, a Arquidiocese de São Paulo, com cerca de 7,8 milhões de fiéis, perdendo apenas para a da Cidade do México, dom Paulo Evaristo Arns foi uma das mais expressivas lideranças religiosas do Brasil. Logo que assumiu o cargo de arcebispo da cidade, em 1970, vendeu o Palácio Episcopal por 5 milhões de dólares e empregou o dinheiro na construção de 1.200 centros comunitários na periferia.

Impressionou o país e o mundo pelas suas atividades em defesa dos direitos humanos durante o período da ditadura militar, quando combateu a intransigência do regime militar e agiu em favor das vítimas da repressão. Defendeu também os líderes sindicais nas greves, apoiou a campanha contra o desemprego e o movimento pelas eleições diretas.

Sua luta em defesa dos direitos dos pobres e pelo fim da desigualdade social lhe valeu dezenas de prêmios no mundo: título de doutor honoris causa em universidades dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Holanda; prêmio do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (1985), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre outros. Filho de pequenos agricultores, nasceu em Forquilhinha, interior de Santa Catarina, e ordenou-se padre em 1945.

Religioso com formação erudita e ligado ao setor progressista da Igreja, doutorou-se com o mais alto grau acadêmico, três “honorable”, em Letras pela Universidade de Sorbonne, em Paris, na França, com a tese A Técnica do Livro de São Jerônimo, em 1952. De volta a Petrópolis, trabalhou como professor de Teologia, como jornalista e como vigário nos subúrbios da cidade.

Foi promovido à condição de bispo em 1966. Quatro anos depois, o papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de São Paulo, e, em 1973, cardeal. Pediu demissão do cargo de cardeal-arcebispo em 1998, como determinam as normas da Igreja. Incentivando a integração entre padres, religiosos e leigos, criou 43 paróquias e apoiou a criação de mais de 2 mil Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nas periferias da metrópole.

Fonte desta biografia resumida de Dom Paulo: http://educacao.uol.com.br/biografias

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