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A mulher e o carcereiro 3

Por Giselle Mathias

Veio o terceiro encontro e muitas explicações, mas no meio delas, ele jogou a existência de uma mulher, de um relacionamento mal-acabado

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O segundo encontro acontece, finalmente. Pausa nas conversas virtuais. Foi o momento em que ela decidiu permitir uma maior aproximação, quando pela primeira vez o beijou e todo o mais que não precisa ser dito aqui, mas já imaginamos o que aconteceu.

Nesse momento só me disse que foi bom, não só o sexo, mas também as coisas que ele havia dito, ele tentou passar a imagem que não seria só um encontro, que os sentimentos nutridos por ela iam além, e a possibilidade de construírem algo real era o que se apresentava naquele encontro.

Acostumada com as falas encarceradoras, que prendem as mulheres em celas afetivas, simplesmente, para que estejam ali disponíveis, para quando o carcereiro decidir aparecer e entregar umas poucas migalhas de afeto, a jornalista decidiu que aguardaria os próximos lances do jogo, sempre o observando e deixando que ele mesmo se revelasse.

Os dias se seguiram como antes, conversas virtuais, e ele sempre se mostrando e justificando sua ausência em razão do trabalho e da família (Ah! Ele não é casado, mas não esqueçam que há o complexo de Édipo nessa história).

Minha amiga jornalista disse que os riscos desse jogo é o fato de nos embrenharmos nessas teias, e ela reconheceu que acabou se enrolando nelas, mas soube como se desvencilhar habilmente e seguir em frente sem que nem um fio dessa teia a prenda ou a puxe de volta.

Então, como disse: ela voltou ao espaço virtual, e agiu como se fosse comum e tratava essa questão com certa naturalidade, apesar de já ter informado que preferia outro tipo de comunicação e desejava encontros pessoais, mas como sempre havia uma boa desculpa da parte dele, ela deixava passar, mas sempre com suas reticências. As desculpas eram tão boas que ela chegava a se sentir constrangida em dizer a ele que já o havia desnudado, mas o desinteresse já começava a se instalar dentro dela.

Conversando com amigas, ela resolveu que tentaria ser compreensiva, apesar de não acreditar mais nas tantas histórias contadas, que mereciam até selfies para parecerem críveis, e dar a aparência de uma justificativa e consideração a ela. Curiosa como ele agia e dava a aparência de um grande interesse, desejo e admiração por ela, resolveu fazer um lance para finalizar aquela situação.

Disse a ele que não se sentia confortável em estar reclusa ao espaço virtual, e não sentia dele a reciprocidade do desejo do encontro, do toque, dos cheiros e som das vozes, então findava aquilo que se encontrava preso nas redes sociais. Quando fez a jogada esperava o padrão, aquele já conhecido por todas, “quero um relacionamento leve, sem cobranças”, “calma, linda! Estou mais devagar que você!”, “Vamos passar uma borracha, e deixar acontecer”, “Amore…só estou muito ocupado, mas quero muito te ver. Só mais um pouquinho de paciência”, etc e aí com ele nu diante dela, poderia deixá-lo sem nenhum peso. No entanto, ele a surpreendeu! Disse que precisava encontrá-la para conversarem, que explicaria melhor a situação.

Veio o terceiro encontro e muitas explicações, mas no meio delas, ele jogou a existência de uma mulher, de um relacionamento mal-acabado, que a moça não parava de procurá-lo, inclusive, teria dito a ele que um ex vivia atrás dela, mas que ele não a procura, e que ainda gosta dele, ama ou sei lá o quê.

Sinceramente, como ela achei a história cansativa, fiquei até com pena da moça querendo dizer a ele o quanto é boa, mulherão da porra, que ele ia perdê-la, etc. Nada mais clichê do que isso!

Bom! Talvez depois eu fale sobre isso, mas aqui o que interessa é a minha amiga jornalista!

Naquele momento ela entendeu o recado e, definitivamente, ele se tornou comum aos olhos dela. Ela não permitiria ser encarcerada por ele, a tentativa de lhe colocar algemas e prendê-la na cela psicológica, utilizando-se do afeto que ela sentia por ele, não teria êxito.

Decidida a demonstrar a ele que seu jogo não teria o resultado esperado, dias depois do terceiro encontro ela lhe telefona (é a comunicação que ela adora), e faz apenas uma pergunta: “Você está mobilizado emocionalmente por essa mulher que me falou? Porque se estiver não ficaremos mais juntos, mas seremos bons amigos”.

Mais uma vez a resposta dele lhe surpreendera, pois disse que gostava daquela moça, mas que como adulto já decidira que não levaria adiante aquele “rolo”.

Segundo ele, ao contrário do que minha amiga jornalista pensava, ele não a estava colocando na “geladeira”, que a desejava, queria vê-la, queria estar com ela, mas só não tinha tempo, e não é porque alguém a vê constantemente que a deseja e quer tê-la. Ela nos disse, ainda, que ficou muito confusa quando ouviu dele que pela segunda vez levava um fora dela.

Rindo, ela comentou: “Reconheço que encontrei um homem hábil para me prender, talvez seja pela profissão de carcereiro polida pela vocação de escritor.”

Mas a “adversária” com quem ele se deparou também tem suas habilidades, e não seria uma detenta dócil. É fato, segundo ela, que ficou confusa diante da situação, porém estava decidida a desnudá-lo como sempre fizera com os homens em sua vida, não só para si, pois ele já havia sido descoberto, mas necessitava dizer a ele. Iria se posicionar, porque o silêncio feminino diante do distanciamento do macho para colocá-la no lugar da disponibilidade a ele, não tem efeito sobre ela, não deixa portas ou janelas abertas para quando eles querem, por isso sempre desvela a verdade e lhes mostra.

Agora vamos à última parte dessa história…


Sobre a Autora


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