Caatinga: Bioma desprezado sobrevive no semiárido

No final de junho passado, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) realizou, em Petrolina (PE), uma audiência pública sobre o bioma Caatinga. O encontro foi uma parceria com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e teve por objetivo fazer um balanço das atividades do Ministério Público nordestino em defesa daquele bioma. E a conclusão foi de que ainda há muito o que fazer.

Dos biomas brasileiros, a Caatinga é o único totalmente nacional e sobrevive a um processo de exploração, ou devastação, que tem a idade do Brasil. Nos mapas, abarca 13% do território do país, em nove estados nordestinos, mais o norte de Minas Gerais, no vale do rio Jequitinhonha. Mas, desse total, menos de 0,5 % estão em unidades de proteção ambiental.

Seu nome advém do tupi-guarani (ka’a = planta e tinga = branca), numa referência à maioria de suas árvores, arbustos e capins, que perdem as folhas e ficam com coloração esbranquiçada nos períodos de estiagem.

Boa parte dessa vegetação, que inclui vários tipos de cactos, é espinhosa e bastante retorcida, produzindo grande variedade de frutas e castanhas que servem à alimentação humana. Sua flora, bem característica, abriga muitas espécies endêmicas à região, na maioria pouco estudadas.

O semiárido nordestino passou por diversas fases de ocupação desde a chegada dos portugueses, quando a região era habitada por vários grupos indígenas. Em todas as fases, o bioma nativo foi desprezado e sua vegetação derrubada, pra dar lugar a pastagens e culturas extensivas, como a cana-de-açúcar e o algodão, em geral com mau uso dos recursos hídricos e do próprio solo. A madeira sempre foi retirada como lenha pra uso doméstico ou industrial, o que ocorre até os dias atuais.

Há locais de ocupação recente, como o do projeto Salitre, nos municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), limitados pelo rio São Francisco, onde pequenas propriedades irrigadas produzem frutas vendidas no Brasil inteiro e exportadas para muitos países. Nessas áreas, uma parte da Caatinga nativa é preservada.

Também é muito conhecido o uso da Caatinga com cenário natural em áreas turísticas, como na Chapada Diamantina, na Bahia. A topografia acidentada e a vegetação nativa se somam à arquitetura colonial de cidades como Lençóis e Rio de Contas, por exemplo, pra formarem um dos principais redutos turísticos daquele estado, competindo com sua preciosa orla marítima.

Obs.: publicado originalmente em 18 de ago de 2015


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