Duque de Caxias: para as elites, negociação; para os trabalhadores, bala de canhão

Por: Tarcísio Motta 

Por detrás do retrato emoldurado do Duque de Caxias, tem mesmo muito sangue retinto e pisado. É a história que a história não conta, que tive a honra de poder partilhar não só com uma sala de aula, mas com uma avenida inteira.

O texto que escrevi tornou-se, honrosamente, parte de um dos carros alegóricos da Estação Primeira de Mangueira. Que tenhamos coragem de desafiar, dentro e fora da Marquês de Sapucaí, a historiografia que esconde o genocídio de nosso povo.

Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, foi um general conservador com muito poder no século XIX. Patrono do exército brasileiro, ganhou o título de “O Pacificador”, por liderar tropas em diversas revoltas e guerras na América Latina. Mas, para os brasileiros pobres do Império, devia se chamar “Passa e Fica a Dor”.

Para Caxias e os poderosos do Império, pacificar era calar pobres, negros e índios, garantindo a tranquilidade da casa-grande. Foi assim com balaios e quilombolas mortos no Maranhão (1838– 1841), com os lanceiros negros massacrados na Farroupilha gaúcha (1835–1845) e com negros e indígenas mortos na Guerra do Paraguai (1864–1870).

Sua estratégia era simples: para as elites, negociação; para os trabalhadores, bala de canhão. Não era paz que ele levava. Paz sem voz, é medo.”

Tarcísio Motta – Professor. Vereador pelo PSOL-RJ.

 


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