Cães: Mais proteção contra a leishmaniose

Parece uma questão que gira em círculo, como um cachorro atrás da própria cauda. Os pets são queridos porque são úteis, ou são queridos simplesmente por serem pets, e isso já basta para os tornarem úteis? A questão-tostines pode até gerar uma desconfiança no leitor do tipo “como assim, o bicho precisa ser útil para gostarem dele?”.

De fato, os animais de estimação se tornam cada vez mais um membro da família. Não se pode ignorar, no entanto, a quantidade de cães abandonados nas ruas, canis e ongs. Depois que crescem, não fazem mais tantas gracinhas, requerem cuidados maiores e, por fim, muitas vezes são abandonados e passam à condição de animais errantes.

É aí que mora o perigo. Tendo um criador, os cães normalmente são vacinados, diferente do que ocorre com os animais abandonados. As proles dos bichinhos dão início ao ciclo de doenças, uma vez negligenciadas as vacinas, as vermifugações e outros zelos necessários.

Passam a ser ameaças também à saúde pública, como é o caso da doença Leishmaniose, em que os cães são hospedeiros do parasita intracelular Leishmania infantum chagasi. A transmissão ao ser humano se dá por meio do flebotomíneo mais conhecido como mosquito-palha, dentro do qual o parasita completa seu ciclo.

Durante muito tempo se justificou o sacrifício de cães sob o argumento da presença do parasita nas células de defesa do hospedeiro. Mas teve gente que achou ruim a ideia de pôr fim à vida do animal, recorreu à justiça e ganhou, por liminar, o direito de manter o bicho vivo.

Graças à discussão, que se deu pela via judicial desde maio de 2010, os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde elaboraram uma Nota Técnica Conjunta (número 001/2016) que autoriza a comercialização no Brasil de um medicamento que reduz o efeito dessa doença sobre o animal.

Vale lembrar que o medicamento Miltefosina, princípio ativo do remédio em questão, já é comercializado há muito tempo em outros países, especialmente na Europa. A droga não cura, mas funciona como o coquetel do HIV entre os humanos.

Embora exista a Leishmaniose tegumentar e a visceral, o tratamento é feito apenas no cão acometido pela Leishmaniose visceral, já que a outra forma da doença é menos grave. O medicamento deve ser administrado via oral, na dose de 2mg/Kg/dia, por 28 dias. A previsão para a venda no País é já no início de 2017, sob retenção de receita.

É importante ressaltar que o tratamento de cães com Leishmaniose visceral não se configura como uma medida de saúde pública e, portanto, trata-se única e exclusivamente de uma escolha do proprietário do animal. O controle da doença na população de cães se dá, em tese, pela vacinação contra o parasita.

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