Mulheres indígenas são chamadas de bruxas e feiticeiras por grupo recém-convertido

Nova Inquisição: Neopentecostais torturam índios por questões religiosas no Mato Grosso do Sul

As aldeias dos guarani-kaiowá, em Mato Grosso do Sul estão sendo invadidas por indígenas neo-pentecostais que querem impor a doutrina cristã aos povos tradicionais. As principais vítimas do ataques são as mulheres mais velhas das tribos. Responsáveis por serem as guardiãs da cultura e da religiosidade de seu povo, elas são acusadas de bruxaria e feitiçaria pelos evangélicos.

“A intolerância religiosa passou dos limites, homens vestidos de “CRENTES” e outros também lideres ligados a capitania dominados pela doutrina pentecostal e discurso de décadas da igreja, que avançam fortemente nas Reservas Indígenas, usam facas e chicotes para condenar o chamado ‘feitiço’”, escreveu em uma postagem no Facebook, Jaqueline Gonçalves que também é indígena.

Segundo os relatos, os homens fazem agressões utilizando chicotes e facões. “Quantas mulheres Nhandesys e Nhanderus foram criminalizados até os dias atuais tidas como bruxas, feiticeiras, macumbeiras, etc mas a tal igreja é o certo para eles rumo ao CÉU e salvação da vida. Nunca nós os condenamos por ser da pentecostal mas eles sim condenam nossos anciãos rezadores, uma guerra religiosa que atravessa nossos corpos e está nos violentando fortemente”, continua Jaqueline.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

 

 

 

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Uma Resposta

  1. Max

    O imperialismo religioso, com seu fanatismo e desumanidade, continua contra as tradições milenares

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