Para que serve o sumiço das crianças indígenas de Kurusu Ambá?

Em Kurusu Ambá, na manhã do dia 24 de junho, duas crianças indígenas desapareceram durante um ataque de fazendeiros armados. Ao triste saldo dos barracos carbonizados e das dezenas de pessoas feridas, conta-se a falta das crianças T.V.B., de 10 anos, e G.L.G., de 11 anos de idade. O momento do ataque foi documentado por uma equipe de reportagem da TV Morena, afiliada local da Rede Globo.

As crianças desaparecidas fazem parte do povo indígena Guarani-Kaiowá, da comunidade Kurusu Ambá (o lugar da cruz, na tradução do tupi para a língua dos brancos), localizada no município de Coronel Sapucaia, no Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. As terras indígenas da região constituem área de cobiça de fazendeiros que, sem nenhum respaldo legal, tentam expulsar as comunidades indígenas pela intimidação e pelo abuso da violência física.

Conforme registro do jornal Gazeta News, de Mato Grosso do Sul, o ataque a Urusu Ambá foi liderado por Aguinaldo Ribeiro, arrendatário da fazenda Madama, e foi planejado horas antes no Sindicato Rural de Amambai, na sede da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), a despeito de o dono da fazenda Madama haver negociado com Ricardo Pael, Procurador da República, a permanência dos Guarani-Kaiowá em parte da terra.

O acordo garantia aos Guarani-Kaiowá a retirada de seus pertences e de seus animais da parte da fazenda que deixariam. Como Ribeiro não é o proprietário da fazenda, com o acordo, qualquer pretensão ou ação de reintegração de posse ficaria inviável. O arrendatário optou, então, pelo massacre, com a conivência das autoridades locais, segundo relatos da imprensa.

Conforme registro da Gazeta News, de Mato Grosso do Sul, estiveram presentes Edinaldo Luiz Bandeira, vice-prefeito de Amambai; o major Josafá Dominoni, comandante da 3ª Companhia Independente da Polícia Militar, com sede em Amambai; o tenente coronel Ary Carlos Barbosa, diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), com sede em Dourados; e o delegado regional da Polícia Civil, Dr. Clemir Vieira Junior.

Com tanto poder de fogo, a comunidade não tinha por onde escapar à sua trajetória histórica de expulsões, assassinatos, prisões e torturas. Uma história de resistência que se repete desde 2007, quando um grupo de famílias Guarani-Kaiowá decidiu lutar até a morte por suas terras em Kurusu Ambá, parte delas em posse do fazendeiro Wilson Vendramini, da fazenda Madama.

Desde o primeiro confronto, em 2007, que deixou dois mortos e cinco Guarani-Kaiowá feridos a bala, a cada ano, a violência recrudesce, com o costume dos fazendeiros de usar o “método de limpeza” para fazer “justiça” com suas próprias mãos. Graças à triste estratégia dos fazendeiros locais de “limpar a área”, o estado de Mato Grosso do Sul ocupa o lamentável primeiro lugar nos relatórios de violência contra os povos indígenas.

Em 2007, a nhandesi (rezadeira) Xurete Lopes, principal líder religiosa do grupo, de 70 anos, foi ferida a bala por um disparo feito a menos de um metro de distância. No mesmo ano, o líder indígena Ortiz Lopes foi assassinado na porta de sua casa com vários disparos. Em 2009, foram assassinados o líder Kurusu Ambá Osvaldo Lopes e o adolescente Osmair Fernandes, de 15 anos, espancado e torturado até a morte, segundo as marcas encontradas em seu corpo.

Sob a lógica dos ruralistas, o assassinato de Xurete, uma anciã indefesa, teria servido para apagar a memória, desmontar a cultura e minar a resistência de um povo guerreiro. Da mesma forma, a morte dos vários líderes indígenas, cujos assassinos ou seus mandantes jamais foram condenados, também poderia servir para quebrar a capacidade de luta do povo Guarani-Kaiowá.

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Mesmo sob essa lógica perversa, qual seria a razão para o ataque também a inocentes crianças nessa retomada da violência que se instala em 2015? Onde estariam as crianças desaparecidas, procuradas e não encontradas pela Polícia Federal? Para que poderia servir o sumiço de crianças indefesas, das duas crianças indígenas desaparecidas de Kurusu Ambá?

Com base em registros e matérias do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Gazeta News, de Mato Grosso do Sul e do jornal Le Monde Diplomatique.


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