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Seguir Esperneando: Episódio 06 – Reserva Chico Mendes Ameaçada

Ouçam o podcast da atriz Lucélia Santos, realizado em parceria com a Revista Xapuri.

Acesse: www.xapuri.info/podcasts

Eu sou Lucélia Santos e você está no “Seguir Esperneando”, o meu podcast em parceria com a Revista Xapuri.

Neste sexto episódio, RESERVA CHICO MENDES AMEAÇADA, o advogado Gomercindo Rodrigues e eu vamos denunciar o Projeto de Lei 6024, porque ele coloca em risco a biodiversidade e a vida humana na Amazônia.

Proposto pela bancada ruralista do Acre, o PL 6024 reduz os limites da Reserva Extrativista Chico Mendes e extingue o Parque Nacional da Serra do Divisor, no extremo oeste da Amazônia brasileira.

PL 6024

Gomercindo Rodrigues: Eu sou Gomercindo Rodrigues, conhecido como o Guma, amigo de Chico Mendes. Eu estou aqui para me somar à Lucélia Santos na denúncia de mais um PL que abre as porteiras do Acre para o latifúndio.

O projeto, de autoria da deputada Mara Rocha (PSDB-AC), quer reduzir uma área de 22 mil hectares da Reserva

O PL também propõe a extinção do PARNA, o Parque Nacional da Serra do Divisor, uma área de proteção integral com 8.463 quilômetros quadrados, na fronteira do Brasil com o Peru. Em seu lugar, propõe criar uma Área de Proteção Ambiental – APA, com regras ambientais muito mais flexíveis e fáceis de serem burladas.

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O QUE ESTÁ EM JOGO

Lucélia Santos: O PL 6024 vem pra acabar com o que resta da Amazônia. Este PL libera a exploração de gado e madeira dentro da Resex Chico Mendes, símbolo da luta e da resistência do Chico e de seus companheiros extrativistas contra a destruição da Amazônia, eu inclusive estava junto nessa luta que vem desde os anos 70 e 80.
Ele regulariza todas as invasões e legaliza todos os crimes cometidos na Reserva, favorecendo a pecuária e promovendo o desmatamento, que cresceu 340% no ano de 2020.

Este PL ameaça a sobrevivência das comunidades extrativistas, dos povos da floresta e do próprio legado de Chico Mendes. Ele coloca em risco a existência das populações indígenas que vivem nas cercanias do PARNA e constitui grave ameaça para a sobrevivência de milhares de espécies da fauna e da flora da região, grande parte delas ainda  princípios ativos que podem gerar remédios para os grandes males da humanidade.

O PL também abre caminho para outro crime ambiental gravíssimo: A construção, sem consulta pública, da rodovia entre as cidades de Cruzeiro do Sul, no Acre, e Pucallpa, no Peru. Com a mudança do status de Parque Nacional para APA, o Estado brasileiro fica dispensado de ouvir os povos indígenas sobre a execução de uma obra que mudará o destino de suas vidas e comunidades da pior forma possível.

IMPACTO IMEDIATO

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Gomercindo Rodrigues:

O impacto do projeto, mesmo ainda não tendo sido aprovado, tem sido muito forte no desmatamento e na venda de lotes ilegais na Resex Chico Mendes.

São muitos os relatos de gente desmatando, criando gado, acabando com as áreas de floresta. Essa situação crítica vem do descaso do governo federal, que tirou a maioria dos funcionários públicos da Reserva, deixando mais uma
unidade de conservação abandonada.

A ausência deliberada do Estado brasileiro deixa o espaço aberto para a atuação de facções criminosas que, além do desmatamento e das queimadas, faz da Resex porta de entrada para tráfico de drogas e de armas.

Segundo moradores locais, o Ministério Público Federal do Acre já foi informado da presença de facções que operam no tráfico de drogas e de armas, e das ofensivas de desmatamento em toda a área da Reserva. Há relatos também da pulverização de agrotóxicos sobre comunidades extrativistas dentro da própria Reserva.

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VIOLÊNCIA E IMPUNIDADE

Lucélia Santos:

A cada dia, aumentam as denúncias de famílias extrativistas que estão sendo expulsas de suas casas no meio da floresta. É um pesadelo. Parece que estamos voltando aos anos 70, quando fazendeiros do sul do país contrataram jagunços para expulsar os seringueiros de suas próprias colocações.

É com esssa lógica da violência, amparada pela certeza da impunidade, e agora também pela legalização da grilagem pelo PL 6024, que os 90.570 hectares da Reserva, criada em 1990 com a

Para Angela Mendes, filha de Chico Mendes, o PL incentiva mais violência, mais invasões e mais degradação, dessa vez de forma mais agressiva, porque os grileiros sabem que a legalização da ocupação das terras públicas da Resex está bem perto de chegar.

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Segundo Angela, a maioria das famílias extrativistas resistem à derrubada de suas seringueiras e castanheiras. Elas querem continuar protegendo o legado de Chico Mendes para seus filhos e netos. Elas querem continuar trabalhando para construir uma economia sustentável na Resex. Mas a pressão que vem de fora é muito grande, quase impossível de suportar.

ATAQUES RECORRENTES

Gomercindo Rodrigues:

Em outubro de 1985, os seringueiros criaram as Reservas Extrativistas, no primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros, em Brasília. O conceito básico é: em vez de lotear a Amazônia em propriedades privadas, a terra das Resex continua sendo da União.

O uso, em comodato, fica com as famílias extrativistas, que podem extrair o seu sustento delas, mas não podem vender a propriedade, nem podem derrubar as árvores da floresta. A proposta ganhou a adesão da sociedade

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Poucos meses depois da morte do Chico Mendes, o governo brasileiro adotou o modelo das Reservas Extrativistas como política pública do Estado brasileiro. Em março de 1990, foram criadas as quatro primeiras reservas
extrativistas do Brasil: Alto Juruá e Chico Mendes, no Acre, Ouro Preto, em Rondônia e Rio Cajari, no Amapá.

Nesses anos todos, o projeto expandiu. Hoje, o Brasil tem 66 Reservas Extravistas federais, que protegem uma área de 35 milhões de hectares.

Nesses anos todos, sempre teve ataque às áreas de proteção ambiental sob a guarda de populações tradicionais.

Mas nunca, como agora, houve um ataque tão deliberado e tão articulado do governo federal com o Congresso Nacional para destruir o legado de Chico Mendes.

CHICO MENDES

Lucélia Santos:

Se Chico Mendes ainda estivesse entre nós, teria escapado da morte muitas vezes, mas por certo iria morrer agora, de desgosto, só de ver o que estão fazendo com a floresta que ele tanto defendeu;” Essa fala do Jaime Sautchuk, o editor da Xapuri, falecido neste 14 de julho, me faz pensar no que o Chico Mendes faria se estivesse aqui.

Ele com certeza estaria esperneando contra esse PL.

Então é isso que nós vamos fazer. Vamos nos juntar à Angela Mendes na Campanha: #PL6024Nao em defesa da Reserva Chico Mendes e todas as áreas de floresta do Brasil.

Duda Meirelles:

“Seguir Esperneando” é mais um espaço de resistência da Revista Xapuri, construído em parceria com a atriz e militante Lucélia Santos.

Este episódio, “PL 6024, NÃO!”, resulta do esforço coletivo de  Agamenon Torres; Ana Paula Sabino; Gomercindo

O roteiro deste podcast foi construído com base em informações coletadas nos acervos Comitê Chico Mendes; do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, o CNS; do Memorial Chico Mendes e da Revista Xapuri; e em pesquisas da Universidade Federal do Acre.

“Seguir Esperneando é patrocinado por: Bancários-DF – Sindicato dos Bancários de Brasília; Fenae – Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômmica Federal; Fetec-CUT Centro Norte – Federação dosTrabalhadores em Empresas de Crédito do Cento Norte; e Sinpro/DF –Sindicato dos Professores no Distrito Federal.

Colabore com a Xapuri, comprando um produto em nossa loja solidária: www.lojaxapuri.info ou fazendo doação de qualquer valor via pix: www.contato@xapuri.info. Até o próximo epsisódio do “Seguir
Esperneando”!


Salve! Taí a Revista Xapuri, edição 82, em homenagem ao Jaime Sautchuk, prontinha pra você! Gostando, por favor curta, comente, compartilhe. Boa leitura !

 

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