Zoroastrismo: a religião persa que influenciou o ocidente

Talvez você conheça um pouco do zoroastrismo e não saiba. Isto porque esta religião persa estendeu alguma influência para produtos culturais conhecidos, como Star Wars e Game of Thrones…

Por Maura Martins/via Mega Curioso

O zoroastrismo é uma religião monoteísta estabelecida pelo profeta persa Zoroastro (também chamado de Zaratustra), que viveu em algum momento entre  1500 e 1000 a.C. Esta fé se sustenta no culto de uma divindade suprema, chamado Ahura Mazda (o Senhor da Sabedoria), que seria o criador de todas as coisas.

Antes da existência de Zoroastro, os antigos persas adoravam várias divindades. O profeta então, condenou essa prática e pregou que somente Ahura Mazda deveria ser adorado. Entende-se que essa tenha sido a primeira religião monoteísta da história da humanidade.                               

A influência do zorosatrismo em outras religiões

(Fonte: Shutterstock / Reprodução)

Esta religião, que também é chamada de Mazdaysna (ou mazdaísmo, que quer dizer “devoção a Mazda”), prega como princípios o culto dos bons pensamentos, boas palavras e boas ações. Sua lógica monoteísta abriria caminho para outras religiões que se tornaram grandes: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Além disso, Zoroastro já apresentava em seus ensinamentos algumas ideias que depois seriam aproveitadas em outras fés, especialmente a cristã. Ele propunha os conceitos de céu e inferno, do dia de julgamento e da revelação final do mundo, bem como uma ideia de Satanás: toda a base do zorastrismo se sustentava em uma luta das forças do bem e da luz com as forças das trevas (cuja autoridade se chamava Ahriman ou Angra Mainyu, e simbolizava o rei da destruição — e, curiosamente, seria o irmão gêmeo de Ahura Mazda). 

Assim, os homens deveriam escolher em que lado eles estavam nesta luta, e a religião servia de guia para que eles soubessem que Deus sempre prevaleceria. Por um lado, Angra Mainyu tentava cegar os homens com desejos que os desviariam do caminho certo; por outro, seu irmão Ahura Mazda os levaria para o destino correto.

A história bíblica de Adão e Eva também guarda bastante semelhança com alguns mitos contados pelo profeta Zoroastro. Segundo a crença, Ahura Mazda (Deus) criou um primeiro casal, chamado Mashya e Mashynag, que vivia harmonicamente em um paraíso, até que Angra Mainyu os convenceu de que ela era o criador, e que Ahura Mazda era um enganador. Por terem acreditado, o casal foi expulso do paraíso e condenados a um mundo cheio de dificuldades.

O zoroastrismo na cultura popular

(Fonte: Steve Wood)

As ideias provenientes do zoroastrismo também foram recuperadas em outros produtos da cultura popular. A antiga religião persa já apareceu também na música, na literatura e até no cinema.

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A ópera A Flauta Mágica, de Mozart, é cheia de referências ao zoroastrismo, como a contraposição entre luz e escuridão, as provações de fogo e água (os fiéis da religião acreditam que as duas são entidades irmãs purificadoras) e a busca da bondade acima de tudo. O cantor Freddie Mercury, vocalista da banda Queen, também se orgulhava em entrevistas de sua herança familiar zoroastrista.

Mas talvez nenhuma criação musical expresse bem os princípios promulgados por Zoroastro quanto Assim falou Zaratustra, poema sinfônico composto por Richard Strauss que homenageia o legado filosófico de Friedrich Nietzsche, autor de um livro de mesmo nome. O curioso é que muitas das ideias de Nietzsche se opunham aos princípios zoroastristas — como a que pregava a cisão absoluta entre bem e mal.

A série Game of Thrones também faz uma referência ao zoroastrismo na lenda de Azor Ahai, um semideus que triunfa sobre as trevas. E há muita gente que acredita que a batalha cósmica em Star Wars, baseada no confronto entre a Luz e as Trevas da força, tem clara influência das ideias do profeta Zoroastro.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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