Calou-se a voz de Tomás Balduino…

Por: Pedro Tierra 

Calou-se a voz de Tomás Balduino, (…)
Uma voz que nunca quis ser sozinha
sabia, desde os anos de chumbo:
uma voz solitária não suspende a manhã.
Quis ser uma voz entre as vozes
ergueu sua voz dentro do vasto coro dos oprimidos:
os índios, os posseiros, os lavradores,
os retirantes da seca e da cerca
e os que se levantam contra elas,
as mulheres, os negros, os migrantes, os peregrinos
para forçar claridades, para ensinar o amanhecer.

Tomás é palavra.
A palavra que banha como bálsamo.
A palavra que fustiga.
Incendeia.
A palavra que perdoa
mas aponta – sempre – o caminho da Justiça.
E o que somos na vida?
Somos os ossos das palavras
que povoam o caminho de pedras ou flores
que sangram os pés de nossos filhos.

Tomás é sertão.
O sertão e suas armadilhas.
O sertão e suas infinitas contradições.
Tomás é sertão
onde se dobram os ventos de Goiás e Minas,
onde nascem as águas
nessa infinita geografia
que alimenta nossas esperanças.

Calou-se a voz de Tomás Balduino.
Permanecerá sua palavra.
Tomás é sertão:
gesto de fé nessa gente que não se dobra.

Dom Tomás partiu dos espaços deste mundo em 2 de maio de 2014. Poema de Pedro Tierra – Poeta Libertário. Autor, dentre vários outros livros, de Dies Irae – oito testemunhos indignados e uma ressureição. Brasília,1999.

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