As trajetórias pessoal e política – dificilmente dissociáveis – da Dilma são muito expressivas do Brasil contemporâneo, daquele que ela, e tantos de nós, vivemos e continuamos a viver.

Estudante que, como tantos outros, chegou à consciência política na virada da história brasileira da democracia à ditadura, viveu os dilemas de como reagir sem espaço legal, e se integrou à luta clandestina contra a ditadura. Nessa trajetória, conheceu os autores clássicos da esquerda, ao mesmo tempo em que se entregava à militância política.

Como uma das vias possíveis naquela época, Dilma aderiu a organizações que optaram pela prioridade da luta armada. Passou a circular pelo pais, conforme as tarefas se impunham. Numa dessas circunstancias, foi presa.

Caindo nas mãos da ditadura, foi vítima das mais cruéis torturas, diante das quais resistiu com a dignidade que é, ao longo de toda sua vida, uma de suas características essenciais.

Saindo da prisão, encontrou-se com um país em transição, dedicou-se ao estudo da economia na Unicamp, ao mesmo tempo em que redefinia sua forma de inserção no Brasil daquele momento.

Se reintegrou politicamente, aos poucos foi se formando como um quadro competente nos temas de energia, até que assumiu cargos públicos nessa área. O espírito público é um dos outros componentes da trajetória da Dilma.

De repente, foi chamada pelo Lula para ser sua ministra. Sua competência e seriedade a levaram logo a assumir o posto essencial na coordenação do governo do Lula, uma das responsáveis pelo sucesso espetacular do segundo mandato do PT.

Dilma foi assim se projetando para o coração mesmo da experiência política dos governos mais importantes que o Brasil já teve, até aqui.

Foi escolhida pelo Lula para sucedê-lo, venceu as eleições e se tornou a primeira mulher a presidir o Brasil. Aquela jovem e aguerrida militante, que havia ingressado à militância política na resistência à ditadura, conquistou a possibilidade de se tornar presidenta do Brasil no mais importante governo de esquerda que o pais já teve.

Dilma viveu a experiência da Presidência da República num momento difícil e complexo, mas garantiu a extensão e o aprofundamento da característica maior desses governos: a prioridade das políticas sociais.

Na reeleição, enfrentou duros embates, mas se saiu vencedora. Sofreu, a partir daí a maior ofensiva contra um governo constituído, desde aquela contra Getúlio.

Foi vítima de um golpe e tornou-se a referência mais importante, dentro e fora do Brasil, da luta democrática.

Um livro sobre a Dilma contribui para fazer justiça à sua trajetória, embora seja difícil que se possa, com palavras, recompor todo o significado dessa mulher, dirigente, amiga e companheira.

ANOTE AÍ:

Este texto prefaciará o livro “Dilma do Brasil” a ser lançado brevemente pelo professor Emir Sader.

Emir Sader – Sociólogo.  Autor do livro “O Brasil que queremos. ”Membro do Conselho Editorial da Revista Xapuri

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