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A memória nos serve de alento e prumo para pautarmos novas ações. D. Ilmosa, mulher inteligente, culta, à frente de seu tempo é farol e exemplo. Os povos que não preservam e honram seu passado não terão futuro

Iêda Vilas-Bôas

A Revista Xapuri tem um compromisso já solidificado: enaltecer e homenagear pessoas de Formosa-Goiás e região. Dessa forma, valorizamos a cultura cerratense, resgatamos nossa história e nosso folclore e fazemos jus de merecida forma a quem contribuiu para a construção de nosso patrimônio cultural.

Nesta edição, a homenageada é Dona Ilmosa. Mulher valorosa, professora exemplar, mãe zelosa, exímia cozinheira, avó carinhosa, devota fiel e poeta por instinto!

A poesia brotava como em miolo de mina daquela nobre cabeça. Seus sentimentos e ternos pensamentos aflorados, naturais ou impulsionados por muitos pedidos, saltavam para o papel e eram registrados com caligrafia ordenada, simétrica, forte e linda.

Nossa poeta, Ilmosa por registro civil, assinava também como Elmosa. O certo seria assinar Formosa e trazer no nome o que habitava em sua alma de mulher inteligente, à frente de seu tempo, visionária, mas também tímida e reservada. De nome inteiro carregava – Ilmosa Saad Fayad – uma mistura muito bem construída sob os pilares panculturais das nações: brasileira, síria e libanesa.

Essa fantástica mulher nasceu no mês de agosto, no dia 5, o ano era 1920, e faleceu prematuramente aos 66 anos, em 9 de janeiro de 1986.

O coração de mulher amorosa e sensível guardava a dor de ter perdido, por acidente automobilístico, seu filho Hélder Saad Fayad, ainda bem moço e que seguia a carreira inicial de sua mãe. Hélder era professor do Colégio São José e muito querido por todos, seu falecimento envolveu a cidade em grande comoção.

Deixou também uma ferida que sangraria para sempre no coração daquela dedicada mãe.

Dona Ilmosa era filha de Ibrahim Jorge Saad e de dona Leopoldina Nare Saad. Casou-se com Ayçor Fayad, e tiveram cinco filhos: Vera Natália, César, Omar, Ibrahim e Helder. Família de grandes intelectuais e muito respeitada por todos os formosenses.

Em 1971, escreveu e participou anonimamente do concurso para a escolha do Hino da cidade. Saiu vitoriosa e se fez mais conhecida como autora de letra ímpar, com música do mestre Miguel Affiune.

Em 1972, o prefeito municipal Pedro Chaves Filho promulgou e assinou o decreto de criação do Hino e, desde então, em qualquer solenidade municipal podemos ouvir a belíssima letra e canção. Registra-se que, no Hino Oficial, assinou sob o pseudônimo: Elmosa.

O poema/letra do Hino exalta a cidade com palavras eruditas e imenso amor bairrista e, ainda, antevê o engrandecimento de Formosa. A primeira Universidade de Formosa recebeu o seu nome (Faculdade de Educação Ciências e Letras Ilmosa Saad Fayad); anos depois, transformou-se na UEG – Universidade Estadual de Goiás – Campus Formosa.

Para essa mulher, sinônimo de ternura e poesia, deixamos nossa homenagem e nosso agradecimento.

Dona Ilmosa: presente!

Iêda Vilas-Bôas – Escritora.

 

 

PS.: Esse texto foi construído com a colaboração de Aline Generoso Yacovenko, Samuel Lucas, e com dados
coletados da live realizada em 29/11/2020, na página do PT-Formosa, pelo Facebook, com a participação de seu
neto Hilton Generoso Júnior.

 

HINO A FORMOSA

Tu te elevas, Formosa gentil,

ao fulgente clarão do Cruzeiro.

Sob o pálio do imenso Brasil

tremulando, auriverde, altaneiro.

 

Estribilho: Como cresces em veros primores,

em progressos, conquistas e brilhos!

Serás grande forjando pendores,

serás forte, também, por teus filhos!

 

Uma vida tranquila, tão boa,

toda gente daqui desfrutou,

com a graça da tua lagoa

e outros bens com que Deus te dotou.

 

No trabalho fecundo tu vences!

pelo arrojo o renome terás!

Pelo orgulho dos bons formosenses,

a esperança também cantarás!

 

Berço insigne, na terra implantado,

a embalar tão vivaz geração,

terás sempre o calor devotado

deste povo, em leal tradução.

 

De mãos dadas, unidos, felizes,

nossa mente, fiel, dadivosa,

sobe aos céus de tão vivos matizes

exaltando o teu nome, Formosa.

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