“Por uns velhos vãos motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor”

Um salve pro Taiguara, um dos artistas mais perseguidos – teve quase 100 canções censuradas  –  durante a ditadura militar brasileira. Nascido por acaso no Uruguai, durante uma turnê do pai, o maestro Ubirajara Silva, em 1945, o cantor  e compositor Taiguara  foi  um dos principais símbolos da resistência dos tempos da repressão, e por isso precisou se exilar na Inglaterra, no início dos ano 1970, onde ficou  até 1975.

Autor de grandes clássicos da música popular brasileira, como Universo do teu corpo, Piano e viola, Amanda, Tributo a Jacob do Bandolim, Viagem, Berço de Marcela, Teu sonho não acabou, Geração 70 e Que as Crianças Cantem Livres, o grande Taiguara Chalar da Silva gravou 15 discos e faleceu em 1996, no Brasil, vítima de um câncer na bexiga.

Em homenagem a Taiguara,  nesses tempos bicudos para a cultura brasileira, compartilhamos a letra da música “Universo No Teu Corpo”, feita no exílio, aludindo ao Brasil como um país em que havia  “gente amarga, mergulhada no passado” que, por força da repressão, o fazia viver  na Europa, um “triste mundo antigo”, quando ele queria mesmo era voltar para o Brasil, um “um lugar que me dê trégua, ou me sorria…”

Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
E uma gente que não viva só pra si

Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi

Por uns velhos vãos motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor

E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor

Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos à canção

Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo

São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos

Vem, vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos a canção
Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos.
Taiguara, com Luiz Carlos Prestes e Beth Carvalho em passeata contra a ditadura. Foto: acervo Globo.

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